Sempre tive fascínio por esses personagens folclóricos de rua, que não necessariamente são artistas.. No passado, eram chamados de “malucos”, e aí abro restrições para esse termo pejorativo.

Primeiro que, muitas vezes, a dita maluquice é opção, assim como alguns moradores de rua. Desistiram de pagar Imposto de Renda, aluguel, de trabalhar em horário comercial. Embora tenham que lutar por comida todo santo dia.

Roupas nem tanto, porque a população doa. Muito embora dormir embaixo de marquises em noites gélidas não seja exatamente um bom programa.
Aqueles que desistiram
Conheci vários desses desistentes ao longo da minha vida. Em alguns casos, um tipo de distúrbio mental ficou evidente, geralmente se comunicando por frases ininteligíveis ou sem sentido.

Outros são alcoólatras em fase terminal. Entretanto, por um milagre da natureza, vivem muito tempo, mais até que muitos de nós que temos um bom plano de saúde e balanceamos nosso dia a dia.
Zé do éter
Um personagem que viveu pelo menos 40 anos, mais o tempo de criança e adolescência, cheirando éter durante todo dia e parte da noite, caso encontrasse quem pagasse sua dependência. Ficava sempre no início da avenida Independência, defronte ao terminal de ônibus.
Com um lenço na mão e um vidrinho de éter na outra exclamando ” pila, pila, pila”, queria dinheiro. Seu cheiro era sentido a dezenas de metros.

Por pena ou para evitar que fossem agarrados por ele ao caminhar, muita gente dava um troquinho. Então ele entrava na farmácia e, para se ver livre dele e de seu fedor os balconistas forneciam o produto a granel.