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Quem lê mais jornais

Apenas 10% dos brasileiros leem jornal impresso, diz estudo de Oxford, divulgado pela Revista Oeste. Mas eis que vem uma surpresa: a confiança do brasileiro nesta plataforma está em 40%, acima da média mundial.

Olha, eu escrevi muito sobre jornais/leitores desde os anos 1970, e um estudo da agência Lintas, do Grupo Gessy Lever, impactou – publiquei em 1974, na falecida Folha da Manhã da antiga Caldas Júnior de Breno Caldas. Ela procurava a quantidade de pessoas que liam jornais diariamente nas capitais e grandes cidades brasileiras. Era tão esmiuçado que fornecia esse porcentual por faixa etária, profissão e de renda, trabalho que levou um ano inteiro e era praticamente um livro.

Porto Alegre, a surpresa

Porto Alegre, pasmem, era a que mais lia jornais diariamente. Tanto por faixa de renda e idade quanto por profissão. Engenheiros, médicos, donas de casa, até mendigo lia mais jornais daqui que em outras capitais, como Rio de Janeiro.

Por sinal, no Rio lia-se menos que em São Paulo. À medida que iam subindo, a leitura diminuía cada vez mais, Nordeste e Região Norte.

https://lp.banrisul.com.br/bdg/link/conta-digital.html?utm_source=fernando_albrecht&utm_medium=patrocinio&utm_campaign=conta-digital&utm_term=visibilidade&utm_content=escala_600x90px

Então aventei algumas hipóteses para o porto-alegrense ler muito. Só a capital gaúcha tinha tabloides, mais fáceis de folhear, podia ser parte da explicação.

A outra foi que, na época, a maioria da população vinha do interior, para trabalhar e/ou estudar. Logo, procuravam notícias das cidades de origem, uma vez que todos os jornais tinham correspondentes ou sucursais. Aliás, aqui esse laço umbilical era muito forte, mais forte que a grande imprensa de outros estados.

A surpresa dos americanos

Cerca de um mês depois da publicação, recebi uma carta em papel fino feito de casca de arroz com o logotipo de uma das maiores agências de propaganda do mundo, a Mccann Erickson, carta assinada pelo diretor para a América Latina. Nela, ele comentou que já sabiam que o porto-alegrense lia mais, porém eles procuravam o motivo – como eu. 

www.brde.com.br

Fiquei contente,  porque a tese de ligação com cidades do interior não tinha passado pela cabeça deles. Então ficou muito grato pela luz que eu dei.

A parte triste foi que emprestei a carta do diretor para o diretor da Caldas Júnior, Francisco Antônio Caldas. E ele não a devolveu.

https://cnabrasil.org.br/senar

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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