A morte da gaiteira e cantora Mary Terezinha, que fez dupla com o cantor Teixeirinha (O maior golpe do mundo/Que eu tive na minha vida/Foi quando com nove anos/Perdi minha mãe querida) agitou as redes sociais e foi notícia em toda mídia, sempre cercada de palavras elogiosas sobre seu trabalho. Só que não era isso que diziam dela e do Teixeirinha na década de 1950 e 1960 até os 90.
Como no conto de Machado de Assis, “Está morto. Podemos falar bem dele à vontade“. Essa hipocrisia que não tem memória é irritante.
Os dois eram considerados bregas, “grossos”, que faziam música de péssima qualidade e por aí afora. Por volta de 1970, convidaram-no para o programa Flávio Cavalcanti da TV Tupi, líder de audiência em todo o Brasil. Ele foi achando que seria homenageado, afinal 12 filmes que tinham fila de dar a volta na quadra nos cinemas, vendeu discos como ninguém. No entanto, foi para ridicularizá-lo, começando com a música Coração de Luto.
O maestro Erlon Chaves produziu um quadro de tamanha crueldade com o gaúcho que ele foi às lágrimas. Não se faz isso com ninguém.
Mas era esse o sentimento dos urbanos com relação à sua obra. Só quem gostava dele era o povão simples e humilde. Tanto que seu túmulo em São Borja recebe fãs até hoje.
Então vamos parar com “ela foi a maior” blá blá blá. Deveriam ter dito isso naquela época.