O escritor francês Antoine Saint Exupèry (O Pequeno Príncipe) disse que o essencial é invisível aos olhos. Lembro dele cada vez que procuro a tomada para carregar meu celular na minha mesa do jornal onde trabalho.
E agora, Mané?
Pela primeira vez desde o início dos anos 90, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram mais saídas do que entradas de moradores vindos de outros estados. Quem tomou esse lugar foi Santa Catarina.

A observação é do blog Jeferson Jornalista. Deus castiga, como diz o outro. Até os anos 1990, o gaúcho ridicularizava o “mané da ilha”.
Salimen e seu tempo
A história da primeira transmissão a cores da televisão brasileira foi devidamente comemorada, ressaltando que a façanha foi da TV Difusora, canal 10, (hoje Band) emissora da Ordem dos Capuchinhos, mas comandada por Salimen Jr e Walmor Bergesch. Na época, 1969, a Difusora era líder de audiência no RS, graças a um conjunto de inovações desenhadas por Salimen, um homem de visão.

O Câmera 10 era um telejornal que seria moderno hoje. Outra sacada dele foi a série Os Detetives, em especial o detetive Columbo, vivido pelo ator Peter Falk.
Foi um sucesso estrondoso. A Globo não quis a série, vejam só.
A Grande Noite
Em 1973, o publicitário Ernani Behs e Salimen criaram o que hoje chamaríamos de talk show, A Grande Noite. Tinha o patrocínio dos gigantes da publicidade de então, Samrig, Ipiranga, Olvebra e Varig.
A coapresentadora era Maria Thereza Druck Bastide, e o luxuoso cenário estava a cargo do decorador Arthur Guarisse e Sebastião Flores. Eu era um dos produtores. Ia ao ar sábado à noite. Trazia celebridades e artistas.

Na hora da fome, a salvação era a Churrascaria A Muralha, na mesma rua, a Delfino Riet. Foi nela que a iniciante cantora Simone deu uma canja depois de ser entrevistada pelo Ernani, um ser humano de primeira grandeza e muito divertido.
Uma campanha vitoriosa
Em 1978, na agência Publivar, Salimen foi responsável pela primeira campanha política cientificamente planejada. A que elegeu o empresário calçadista, de Campo Bom, Cláudio Strassburger, desconhecido pelo eleitorado, a deputado federal com estrondosos 210 mil votos. Lá estava eu de novo com o turco.
Até hoje há ecos dessa façanha, o número 222 e o slogan “Você sabe onde pisa”. Strassburger foi o primeiro a abrir a estrada da exportação de calçados, trilha aberta pelo ministro da Indústria e Comércio Marcus Vinicius Pratini de Moraes, outra pessoa extraordinária.
Posso garantir que a agência de propaganda Publivar, na rua Senhor dos Passos, seria hoje a melhor empresa para se trabalhar do Brasil inteiro. Não se trabalhava, nos divertíamos. Até nisso Salimen Jr foi excepcional.

Findo o expediente nos dirigíamos ao happy hour. Mas, para forrar o estômago, nada melhor que os divinos bolinhos de carne do Hubertu’s, jantar no luxuoso restaurante Napoleon ou na Churrascaria Quero Quero, todos na subida da Otávio Rocha. Mas essa já é outra história.
Salvo formigueiro, o que vem de baixo não me atinge.
Pensamento do Dias