Hoje não se imagina uma campanha eleitoral sem pesquisas. Mas em épocas passadas, elas chegaram a ser proibidas sob argumento que podem influenciar o eleitor.
Acredito que possam influenciar o voto útil em determinados casos, entretanto, o temor de contaminação geral não procede. Na década de 1980, quando eu fazia o Informe Especial do jornal Zero Hora, em determinada eleição sua divulgação foi proibida – na época o Gallup ainda as fazia no Brasil.
Contornei a proibição simulando no texto uma corrida de cavalos, dando o retrato falado dos candidatos e sua posição. Passou, mas achei prudente não repetir a dose.
Meu colega Danilo Ucha teve menos sorte. Apesar da expressa proibição da Polícia Federal, ele publicou a pesquisa e, como tinha a mania de assinar tudo que escrevia, colocou no final “texto de Danilo Ucha”. Foi chamado pela PF e devidamente identificado e fichado.

Tocou piano, como se chamavam as impressões digitais. Não adiantou nem a interferência do jurista Paulo Brossard.