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O mundo é um formigueiro

Quando um formigueiro é atacado e a parte acima do solo é destruída, não demora muito para que agitadas formigas operárias ponham-se a trabalhar em ritmo frenético para reconstruí-lo ou movê-lo a outro lugar. Desde que a rainha-mãe não tenha sido morta, bem como o berçário e os ovos de novas formiguinhas, protegidos por centenas de formigas-soldado.

Inteligência coletiva

Formigas, cupins e assemelhados tem uma notável capacidade de sobreviver desde que tenham rainha ou rainhas. Caso elas morram, o resto fica desnorteado.

Como seres não-inteligentes têm essa capacidade? Visto que não são inteligentes porque não têm cérebro, no sentido de que inteligência é uma informação processada…

Todas as atividades estão em algum cantinho, então podemos dizer que se movem e vivem por algoritmos. É notável como elas agem de forma coletiva.

As árvores que se protegem

Tenho por mim que vegetais também possuem capacidade de sobrevivência e reconstrução. Nós podamos galhos. E eles voltam a crescer, assim como lagartos que perdem a cauda e se regeneram.

Não dá para dizer que elas são inteligentes. Mas várias espécies têm mecanismos de proteção, como espinhos, a exemplo da Coroa de Cristo. Outras contam com secreção de substâncias tóxicas, tipo a planta decorativa Comigo Ninguém Pode.

Como não se admirar com isso? Elas foram criando estas defesas assim como a evolução aperfeiçoou os animais.

O homem-formiga

Atingidos por catástrofes naturais ou frutos de guerra ou doenças, o ser humano também tem mecanismos – mas inteligentes – de reconstrução. Cidades inteiras destruídas voltam à normalidade. Inclusive com reconstrução de prédios baseada em imagens, pinturas e fotos.

Na Alemanha, cada prédio é minuciosamente registrado centímetro por centímetro. Isso possibilitou a reconstrução de prédios e monumentos destruídos na II Guerra Mundial.

O formigueiro gaúcho

Nós do Rio Grande do Sul temos essa difícil tarefa de reconstruir casas, prédios, empresas e cidades inteiras. Faz parte do nosso DNA.

Não há dúvida que conseguiremos. Mesmo que algumas feridas nunca cicatrizem. Ao contrário dos insetos, animais e vegetais, o que tínhamos e perdemos fica na nossa memória, com sentimentos de saudade, dor e tristeza.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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