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O fato

O aumento do consumo em bares e restaurantes voltou a impulsionar o setor de alimentação fora do lar nos últimos meses. Entretanto, a melhora no movimento não tem garantido saúde financeira para parte das operações.

Dados divulgados pela Abrasel mostram que a situação financeira de bares e restaurantes voltou a piorar no início de 2026. Ou seja, houve aumento do número de empresas operando no prejuízo e com dificuldade para equilibrar custos e faturamento.

A versão

Pelo que se depreende dos dados acima, comer já não é mais um bom negócio – para quem vende. E também para quem paga a conta.

De alguns anos para cá, parte dos restaurantes foi ao cinema rever “Querida, encolhi as crianças” para ensinar os cozinheiros como encolher as porções cobrando o mesmo preço.

https://lp.banrisul.com.br/bdg/link/tag-banrisul.html?utm_source=fernando_albrecht&utm_medium=patrocinio&utm_campaign=tag-banrisul&utm_term

Foi muito difícil encontrar um que não entrasse nessa onda, porque os custos aumentaram, e a solução foi encolher a comida. É uma coisa muito chata e muito brasileira.

O frango nosso de cada dia

Já em parte dos bufês de comida a quilo essa estratégia é impossível, então que muitos fizeram? “Encolheram” a qualidade.

Quando a carne bovina disparou, a solução foi descer a escada da maciez até chegar no filé de garrão ou substituir por outra proteína. Nunca se ofereceu tanto guisado e tanto frango.

Eu, que almoço fora sempre, enjoei de comer frango nas suas diversas versões: à parmegiana, à milanesa, frito, ensopado, coxa e sobrecoxa, pedaços de peito cor de areia ou quase branca, que lembram esparadrapo “cor da pele”, sem falar no frango xadrez.

https://observatorio.fecomercio-rs.org.br/home?utm_source=fernando_albretch&utm_campaign=observatorio_do_comercio&utm_content=competence

Que não lembra o nome do jogo, não sei de onde tiraram. Vou sugerir que alguém crie o frango damas, em alusão ao jogo de tabuleiro.

Boi ralado

Era assim que, em tempos idos, os catarinenses chamavam o guisado. Também havia “o avião de rosca”, o helicóptero. Com Santa Catarina a milhão, deve ser eles que hoje estão rindo de nós.

A ordem dos fatores

Que me desculpem os amigos da Serra Gaúcha, mas vivi intensamente o tempo da farta mesa da região. Nunca repeti o mesmo prato constante no cardápio.

Um dia era galeto, massa, radicci e polenta; no outro, radicci, massa, galeto e polenta; no terceiro dia, massa, radicci polenta e galeto. Tudo muito bom, na maioria das vezes.  

Lucros e perdas

Constatação dos lojistas: o pequeno varejo está perdendo clientes para os atacarejos. Se bem entendi, no pequeno varejo estão os mercadinhos de bairro, ou uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa?

Verdade é que os atacarejos estão atraindo quem compra carne para churrasco, segundo soube de uma fonte do ramo. Basicamente, estes gigantes têm mais condições de praticar preços mais baixos, ao mesmo tempo em que vendem todos os apetrechos, desde espetos a carvão e sal grosso. Sai mais em conta.

https://www.senar-rs.com.br/

Então quem está perdendo mercado são os açougues. Fica difícil de entender. Mas essa minha fonte jura que colegas que vendiam o equivalente a 12 bois por dia hoje vendem dois ou três.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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