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A névoa típica da cidade

Texto de hoje é do marchand e amigo Renato Rosa

“Era alta madrugada, e o Alceu Collares pega o microfone e resolve declamar um poema e cantar uma dor de cotovelo do Lupicínio Rodrigues. Ele estava em baixa, era um ex-prefeito ainda meio longe de tornar-se o segundo governador negro do Rio Grande do Sul.

Éramos um pequeno grupo boêmio ainda resistindo na noite gélida da boate Papagaio’s. De repente, a Gilda resolve ir embora e eu a acompanho pegando o táxi cujo roteiro seria desde a Cristóvão Colombo, quase Santo Antônio, até o centro no Largo dos Medeiros/Praça da Alfândega/Rua da Praia onde ela morava no edifício do Clube do Comércio.

As ruas, naquela altura já sendo 5h30min, estavam completamente tomadas por uma cerração incessante, que exigia muito cuidado á direção do táxi. Entramos na rua General Câmara e descemos, Gilda e eu, no Largo dos Medeiros.

O táxi ficou me aguardando. Caminhamos na névoa sem vermos nada quando, na frente da entrada da galeria Di Primio Beck, ela me estanca e diz:

    – Meu querido, estou bem, sei o caminho e daqui eu posso seguir sozinha. Estou em casa.

 Nos despedimos e ela sumiu envolta na névoa que dominava a Praça da Alfândega. Foi a última vez que vi a Gilda Marinho (*).

* Gilda Marinho foi uma colunista social famosa nos anos 1950 até os anos 1970. Polêmica e culta, tinha amigos em todas as áreas.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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