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O dilema brasileiro

Enquanto o Brasil busca caminhos para aumentar a produtividade e reduzir o desemprego entre os jovens, uma mudança pouco comentada pode ter impacto direto na formação da próxima geração de profissionais. A Lei Complementar nº 212/2025, que criou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), vai além do reequilíbrio das contas públicas. Ela transforma parte dos recursos antes destinados ao pagamento de juros em investimentos obrigatórios na Educação Profissional e Tecnológica (EPT).

A medida surge em um momento em que o país convive com um paradoxo conhecido. De um lado, milhões de jovens enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. De outro, empresas dos setores industrial, tecnológico e de serviços relatam escassez de profissionais qualificados para ocupar vagas técnicas.

O fator canudo 

Há muito tempo, falo sobre algo que distorce a realidade, a busca desesperada pelo canudo universitário, de preferência para profissões liberais que teoricamente garantem boa renda. No passado, foi a Medicina. Era uma cultura tão forte que o maior sonho de uma garota era casar com um médico.

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Ou seja, era sinônimo de vida mansa e boa. Desde aquela época, outra realidade me chamava atenção: vida mansa e boa de muitos sem-canudo.  

O sonho das gurias

Casar com um  bancário era uma alternativa razoável, de preferência do Banco do Brasil. Meu primeiro emprego com carteira assinada foi no Banco da Província, um dos quatro bancos gaúchos.

Nunca esquecerei o salário, 11.600 cruzeiros.  Não era lá grandes coisas. Entretanto, os bancos pagavam pelo menos 4 salários anuais a mais, as gratificações sobre lucros.

A partir de 1963, veio mais o 13º salário. Essa alegria terminou em 1966 com a reforma bancária. Bancário ficou mais pobre.

Profissão: Banco do Brasil

O salário inicial do Banco do Brasil era de impressionantes 18 salários mínimos em 1961. Eu ganhava um.

https://observatorio.fecomercio-rs.org.br/home?utm_source=fernando_albretch&utm_campaign=observatorio_do_comercio&utm_content=competence

Na época que o sonho de consumo era um Fusca, os meus amigos do Banco do Brasil podiam comprar um com poucos anos de poupança. Eu, nem com 10 anos sem gastar nada.

A falta que eles fazem

Bons marceneiro, hidráulicos e eletricistas, entre outros, são raros. Por isso, o ensino técnico deveria ser estimulado. Não dá canudo, mas os bons ganham mais que muitas profissões liberais. 

Congresso Senac

A sede do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP receberá, no dia 18 de agosto, o Congresso + Saúde Sesc e Senac: Educação e Bem-Estar Social, um evento que oportuniza a reflexão sobre temas centrais para o desenvolvimento humano e a qualidade de vida da população. A programação, que ocorre das 8h às 18h, contará com palestras, painéis temáticos e debates que abordarão temas relacionados à educação, saúde e bem-estar social.

https://www.senar-rs.com.br/

Entre os nomes dos palestrantes já confirmados estão os médicos Dráuzio Varella e Margareth Dalcolmo, além da bióloga e influenciadora digital Mari Krüeger.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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