Logo que arranchei em definitivo em Porto Alegre, início dos anos 1960, passei a trabalhar em um banco que não existe mais, o Província. A matriz ficava na esquina da rua Uruguai com a rua Sete de Setembro, hoje sede do Santander. Antes dele foi Banco Meridional, um banco estatal que era mais estorvo que instituição útil.
Ao longo das décadas, o interior foi descaracterizado. O mármore de Carrara, espanhol, ia até o quarto andar além da fachada. Tinha ar-condicionado central, novidade para a época em que foi inaugurado, em 1958.
Tenho um Everest de histórias para contar sobre este tempo. Mas hoje prefiro falar de uma ausência: a empada de frango do Big Ben. Era um lugar pequeno não longe dali, Marechal Floriano esquina Otávio Rocha.
Rapaz, nunca mais fizeram igual. Sim, sei, tem ótimas no Centro. E a da Confeitaria (e padaria) Guanabara do Mercado Público é – no meu ponto de vista – a melhor. A do Big Ben tinha algo especial, não sei como a cozinheira fazia, mas era de comer ajoelhado exclamando “Deus existe!”
Um dia farei uma lista dos lanches e pratos inesquecíveis do Centro de Porto Alegre, maravilhas que até as papilas gustativas das estátuas de pedra aplaudiriam.