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Meu Brasil brasileiro

Vejamos como um ET viveria neste bendito país. De antemão, fugiria correndo ante o quadro que – ele leria sobre nosso passado – que não muda nunca. Damos um passo à frente e dois para trás, seria sua primeira observação.

Ficaria espantado com o sistema de chantagem que vigora entre o Poder Legislativo e o Executivo.  Para conseguir aprovar um projeto, o governo teria que abrir a guaiaca para as emendas dos parlamentares.

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Por sua vez, o Legislativo exige grana sob forma de emendas. E por que não? – cargos em estatais ou no próprio governo em si.

Um milagre às avessas

Este é mais um milagre brasileiro. Antes ferrenhos inimigos do poder passam a ser amigos para sempre. Como se chama isso? Vou passar esta história para o ET.

Um dramaturgo muito famoso do século XIX de nome George Bernard Shaw foi a um encontro bailável, comestível ou bebível da aristocracia inglesa. Vou ter que explicar que neste país o Rei reina mas não governa. 

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Posso ver sua cara de espanto, mas explicarei que o sistema funciona. Aqui, o presidente precisa da suprema corte para poder governar, nenhum problema, direi a ele. O sistema funciona para ambos, mas não para o povo.

O caso da dama inglesa

Seguindo a história, nosso bom homem se deparou com uma dama da aristocracia, cuja beleza era tamanha que deixava todos que a viam de queixo caído. Então o dramaturgo iria a ela e, depois de elogiar sua estonteante beleza, perguntava se ela dormiria com ele por 10 mil libras, uma fortuna naquela época.

– Acho que sim, sabe, é muito dinheiro.

– E por 100 libras?

– Claro que não! O que o senhor pensa que eu sou?

– O que você é nós dois já sabemos. Agora é só acertarmos o preço.

 Nosso ET achou essa história boa, e perguntou se todos os brasileiros são assim como a dama de invulgar beleza. Terei que responder que, em parte sim. Homens e mulheres, mas não pelo sexo e sim por dinheiro e poder.

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Então achei que deveria aduzir uma explicação. Quem tem Poder de verdade não precisa de dinheiro.

Aqui, um cartão de débito corporativo sem limite é uma boa moeda de troca. Principalmente que, em sendo governo, não precisa prestar contas. Nem a imprensa tem acesso. A outra forma, meu caro extraterrestre, chama-se comissão.

– Tipo comissão de frente de escola de samba?

– Não. Esta que falo é a Comissão Adiantada.

Como explicar

O IBGE divulgou uma nova queda na taxa de desemprego, que atingiu 6,2% nos primeiros meses do ano. Para a mão de obra especializada, esse índice fica em torno de 3%.

Mesmo assim, com flagrante melhora no salário e menos chance de perder o emprego, o brasileiro em geral e o gaúcho em particular resistem à qualificação. Deve existir uma lógica perversa na cabeça dessa gente que ordena que ele não pode nem pensar em ganhar mais.  Já quebrei a cabeça, mas não consigo entender.

Quando deu a Copa do Mundo, com jogos em Porto Alegre, a Prefeitura mapeou cursos de qualificação gratuitos para quem se interessasse, que seriam úteis para toda a vida. Um deles era de inglês básico para taxistas da Estação Rodoviária, com possibilidade de aprofundamento se ele assim quisesse.

No entanto, só dois apareceram. Os outros recusaram dizendo que se comunicariam com turistas “por gestos”. Tá bom, eu também acredito em lobisomem.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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