Leva algum tempo para entender a lógica portuguesa que nós, brasileiros, não conseguimos captar pelo simples fato do português de Portugal não ter subtexto. E o que é dito e escrito é aquilo mesmo.
É tão lógico esse pensamento cartesiano que achamos, erroneamente, que é burrice. Erro crasso.
Em 2001, fui para Portugal com outros jornalistas brasileiros. Certa noite, eu e um casal de jornalistas pegamos um táxi para ir ao bairro boêmio do Chiado. O meu colega cometeu uma gafe com o taxista, dizendo que os portugueses falavam mal o português.
Foi um insulto, admito. E fiquei envergonhado pelo colega. No início, o taxista ia comprar briga. Mas, felizmente, só ficou na ironia. Olhou o colega pelo retrovisor
– Nós falamos mal? Só que em Portugal “pois não” não significa sim e “pois sim” não significa não, como o português brasileiro…