Tem horas em que é preciso saudar os heróis anônimos que escrevem a história. Meu polegar direito é um deles.
Explico: como a redação do Jornal do Comércio foi para a Tecnopuc, a espera pelos quatro ônibus que pego (sim, não tenho mais carro, vulgo pé de borracha) na ida e na volta, mais o trajeto, me consumiria em torno de três horas. Isto se tudo der certo, o ônibus chegar na parada assim que eu chegar nela e não houver tranqueira na avenida Ipiranga. Grosso modo, perco três horas da minha vida e de trabalho.
O auxílio está na mão
Como não tenho computador em casa, nem um lugar fixo para trabalhar fora da redação, obriguei-me a digitar textos com o polegar no celular. Nada de traumático, já fiz isso durante a enchente e na pandemia.

Posso garantir que sou rápido no gatilho. E escrevendo no celular, tenho a vantagem de circular por aí e trabalhar em cafeterias, por exemplo, sem perder tempo em locomoção.
Além do mais, meu polegar trabalha de graça, não é CLT e pode trabalhar 24 horas por dia sem reclamar. E nem receber hora extra ou adicional noturno.
Quer dizer que não sou nem 6×1, sou 7x 0.
A promessa japonesa
Nos anos 1970, correu uma informação de que o governo japonês teria feito uma proposta ao governo brasileiro, que encheria o país de trilhos de trens em troca de um enclave japonês no centro-oeste brasileiro.
A ideia, levada por uma poderosa trading company, moda na época, era levar idosos japoneses para viver neste território. Obviamente, eles se encarregariam de construir cidades completas para os velhinhos orientais.

A ideia tinha sentido, uma vez que o Japão era carente de espaço, coisa que o Brasil tinha de sobra. Se era fantasia ou boataria mesmo, não se sabe. Agora leia abaixo o que os chineses pretendem nas ferrovias brasileiras.
A proposta chinesa
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que empresas chinesas estão interessadas em todos os ativos da carteira de ferrovias, apresentada na última semana pelo governo, e devem participar dos leilões estimados para o 2º semestre. Se é para o bem das ferrovias e felicidade geral da nação, que venga el toro.
A bola da vez
Os chineses já dominam boa parte da geração e transmissão de energia no Brasil. O interesse por ferrovias faz sentido, porque a China tem um apetite colossal por setores atrasados do Brasil.
E há uma bolha chinesa que pode estourar, a bolha imobiliárioa. Eles precisam desesperadamente diversificar seus investimentos no exterior. Então entrar nos trilhos parece lógico.

O que vejo é que boa parte do setor produtivo do Brasil já fala mandarim. Então não sabemos até onde eles realmente querem ir em temos de soberania.
Mal comparando, mas nem tanto assim, parece a chegada dos conquistadores portugueses no Brasil. A turma de Cabral trouxe promessas e pedrinhas coloridas e deixou doenças e escravos.
Do lado da América Latina espanhola, não foi diferente. A verdade é que passado todo esse tempo, nem portugueses nem espanhóis conseguiram transformar os países que conquistaram em nações de verdade.
Talvez com os holandeses fosse diferente. Ou não. Jamais saberemos.