Antes do advento do computador, escrevia-se as matérias em folhas de papel chamadas laudas, que tinham marcação numérica de linhas e espaços na vertical e horizontal. Nos anos 1980, 1982 a 1989, eu fiz o Informe Especial do jornal Zero Hora.
Cada nota era escrita em uma lauda, que era lida e aprovada, ou não, pelo diretor-editor Lauro Schirmer, que detestava bola dividida. As notas eram por ordem decrescente de importância.
Quando eu queria que uma nota passasse de qualquer jeito, eu escrevia duas sacanagens, uma grande em em lauda bem no início. Impossível passar despercebida. A sacana, eu deixava para o fim.
Então Lauro começava a ler e, de cara, via a sacanagem pega-ratão.
– Ahá! Pensou que ia me enganar é?
E jogava no lixo. De alma mais leve e achando que não havia mais sacanagem, relaxava na leitura das outras notas. E saía como eu queria.
Às vezes, ele se dava conta ao ler o jornal no dia seguinte, na maioria das vezes, não. Não existe nada mais velho que o jornal de ontem.
