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Ame-o ou deixe-o

Fui apresentado ao mocotó com 15 ou 16 anos, ali por 1954. Lembro que foi numa viagem de trem até Rio Grande, odisseia que levava um dia e uma noite em que se pernoitava em Bagé.

Pelo menos, tínhamos trem de passageiros, fecha parênteses. Achei horrível o gosto, embora o caldo não fosse de todo ruim. Hoje gosto, mas tem que ser bem limpinho e ter muito feijão branco.

 Mocotó é o tipo do prato que remete ao título deste comentário. Teve origem no tempo do Brasil colonial e, pelo que li, embora apreciado por escravos, não era desprezado por parte da aristocracia.

Até viajou para Portugal levado por apreciadores da Corte. Como é um prato popular, é crença que não deve dar muito dinheiro para restaurantes.         

Ah é? Então vejam o que fatura seu Geovani Duarte, do Restaurante Luz do Mercado Público de Porto Alegre. Com o prato de mocotó a 39 reais e a terrina para duas pessoas a 60 reais, desde abril a casa já vendeu 12 mil pratos e espera vender 20 mil até o início da primavera.

São – pasmem- 11 toneladas de mocotó. É mole?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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