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A ironia do taxista português

Leva algum tempo para entender a lógica portuguesa que nós, brasileiros, não conseguimos captar pelo simples fato do português de Portugal não ter subtexto. E o que é dito e escrito é aquilo mesmo.

É tão lógico esse pensamento cartesiano que achamos, erroneamente, que é burrice. Erro crasso. 

Em 2001, fui para Portugal com outros jornalistas brasileiros. Certa noite, eu e um casal de jornalistas pegamos um táxi para ir ao bairro boêmio do Chiado. O meu colega cometeu uma gafe com o taxista, dizendo que os portugueses falavam mal o português. 

  Foi um insulto, admito. E fiquei envergonhado pelo colega. No início, o taxista ia comprar briga. Mas, felizmente, só ficou na ironia. Olhou o colega pelo retrovisor

    – Nós falamos mal? Só que em Portugal “pois não” não significa sim e “pois sim” não significa não, como o português brasileiro…

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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