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Rombos no casco

Com água começando a entrar na casa de máquinas do navio bolsonarista, a pergunta é: como o timoneiro Flávio Bolsonaro achou que, em tempos em que até pulga é detectada em elefante, a conversa com Daniel Vorcaro não chegaria aos alto falantes de todo país. Talvez se ele tivesse tomado a iniciativa de divulgar logo que começou sua caminhada, o prejuízo fosse menor. Especialmente entre os que votariam nele.

A OAB e o Supremo

A OAB/RS promoverá hoje às 13h30, no Auditório OAB Cubo, em Porto Alegre, o ato público “Pelo fim do Inquérito 4781 – O STF precisa mudar”. O encontro contará com o anúncio de importantes encaminhamentos institucionais sobre o tema, que serão detalhados pela diretoria da Ordem gaúcha, presidente Leonardo Lamachia à frente.

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Instaurado em 14 de março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o Inquérito 4781 foi originalmente criado para apurar a disseminação de notícias fraudulentas, ofensas e ameaças contra os membros do Tribunal e seus familiares. Sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, o procedimento estende-se por mais de sete anos acadêmicos devido ao seu caráter contínuo. Nele, o próprio STF atua simultaneamente como vítima, investigador e julgador.

O dito pelo não dito

A Federasul está ouvindo os candidatos a Governador do Estado nas reuniões-almoço, e ontem foi a vez de Juliana Brizola (PDT) com Edegar Pretto (PT) de vice na chapa. Como sempre acontece, vários conhecidos perguntam aos jornalistas que julgar ter bola de cristal quem ganha.

Simples assim, quem ganha. Não foi diferente ontem. A todos sempre digo que as campanhas recém começaram, algumas chapas podem até mudar.

E como disse o cientista político Fernando Schiller, a cada pleito é costume dizer que esta é a mais importante eleição. Para meu xará, em 10 eleições ele sempre ouve isso.

Posso dizer que, desde 1961, eu também ouço isso. Em 1961, eu me estrepei porque aquele em que votei (Jânio Quadros) renunciou meses depois. Ele falou que “forças ocultas” o levaram a esta decisão extrema. E desde então ouço que a frase é de Getúlio Vargas. Não foi ele.

https://observatorio.fecomercio-rs.org.br/home?utm_source=fernando_albretch&utm_campaign=observatorio_do_comercio&utm_content=competence

Getúlio esrceveu na sua carta-testamento “forças terríveis”, que, ao fim e ao cabo, acabaram com seu suicídio. Seja como for, ocultas e terríveis, toda eleição é decisiva. Não por ter esse lado profético, mas porque dela virá o futuro. E o futuro não tem “se”.

Bolas de cristal

O ruim das pesquisas é que, quem acredita nelas cegamente esquece que o futuro é móvel. É como a nuvem do ex-governador mineiro Magalhães Pinto: “Olha está de um jeito, olha de novo está de outro”.

Na deste ano, ouvi que teremos troca-troca tanto lá como aqui. No Sul, quem é candidato ao Senado cambiaria para governador e vice-versa.

Acho que não se cria porque o “versa” já foi governador e, pelo que eu o conheço, não quer voltar ao passado. Mas não juro de pés juntos. Já vi passarinho pastar e boi voar para ter essa certeza.

Boca de jacaré

Porém, e sempre tem um, não posso dizer o mesmo com relação à Presidência da República. Flávio Bolsonaro cometeu o pecado da ingenuidade ao achar que suas conversas vorcarianas não vazassem mais cedo ou mais tarde. No caso, mais cedo.

Como pode um político experiente achar que “alguém” não teria acesso a vídeos, áudios e textos? Ainda mais em uma eleição.

https://www.senar-rs.com.br/

Por isso, ouvi falar que o governador paulista Tarcísio de Freitas iria para o sacrifício e pegaria esse boi na unha, trocando uma eleição para governador com grandes chances de vencer com outra com pouco tempo para trabalhar e com chances razoáveis de perder.

As paredes têm ouvidos

Mas, depois que Flávio Bolsonaro achou que não havia registros dos seus contatos com Daniel Vorcaro já candidato, quando se grava até PUM! depois e pior, dizer que não houve essa conversa… Bem, aí já não duvido de mais nada.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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