Encontrei este personagem na rua dos Andradas, Porto Alegre. Expliquei que pretendia publicar sua foto no blog.
– Por que não bate mais de perto? Uma guria me fotografou e dava para ver até as rugas.
Expliquei que tinha que pegar ele de corpo inteiro para mostrar o contexto. E para preservar tua imagem…
Ele sorriu.

O dinheiro não se multiplica
Antes do advento da Internet e dos blogs, sites em geral, a publicidade ainda era a mesma desde que a imprensa escrita, emissoras de rádio e TV dominavam o mercado. Havia algum espaço para outdoors e painéis de estrada e material de ponto de venda.
As agências de publicidade preferiam as mídias mais caras, porque a comissão era de 20% sobre o valor da propaganda, mais 15% sobre os custos de produção. Em caso de clientes com grande volume, a comissão era negociada e podia baixar bastante.
O mesmo com a televisão. Já o rádio é um caso curioso, porque é um veículo por excelência, é barato e eficaz.

Com a internet, tudo mudou radicalmente. Os anúncios gráficos e merchandising nas televisões engoliram boa parte das verbas. Com os sites, blogs e tudo que rola nas redes sociais, estratificou mais ainda.
As agências tiveram que se esmerar em dividir a verba de forma eficiente e sempre buscando o maior número de visualizações possível. Por isso, os jornais impressos passaram a perder dinheiro. Isso porque eram cada vez menos lidos. Daí a crise que enfrentam hoje.
Mas não só. Como diz o empresário Marcos Dvoskin, hoje e, São Paulo e que foi eficiente diretor do jornal Zero Hora nos anos 1970, a ponto de mudar a imagem de jornal sensacionalista para um veículo para brigar com os grandes jornais de Porto Alegre com menos foco em polícia, houve outro concorrente: a publicidade de rua.

Os outdoors por si só não bastam, mas paineis luminosos, propaganda em paradas de ônibus e trens com suas estações, foram comendo mais uma beira da verba do cliente. E as emissoras de TV passaram a utilizar pesadamente o merchandising. Que hoje vai do sapato ao cabelo com apelos para lojas e fabricantes de produtos de massa.
Um exemplo que acho notável é a Fórmula 1. Não só pelos altíssimos valores envolvidos – a gigante Oracle paga 100 milhões de dólares por temporada – e publicidade em tudo que aparece na tela, uniformes de pilotos, os carros, os mecânicos, os boxes.

Vou dar um exemplo de como a criatividade das agências vai longe. Depois que a corrida terminou, os três pilotos que estão no pódio dão entrevista coletiva um por um. No fundo, um painel com propaganda clássica, mas tem mais.
Depois que colocam o boné – mais propaganda nele – os pilotos passam – sem querer querendo – a mão esquerda na orelha ou cabeça como desculpa para mostrar o relógio que têm no pulso. Geralmente, marcas conhecidas ou modelos mais espalhafatosos que o telespectador retém na memória visual.
Com essa montanha de impostos que pagamos, não era nem de ter favela.
Pensamento do Dias