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As rugas do flautista

Encontrei este personagem na rua dos Andradas, Porto Alegre. Expliquei que pretendia publicar sua foto no blog.

 – Por que não bate mais de perto? Uma guria me fotografou e dava para ver até as rugas.

   Expliquei que tinha que pegar ele de corpo inteiro para mostrar o contexto. E para preservar tua imagem…

   Ele sorriu.

Foto: Fernando Albrecht

O dinheiro não se multiplica

Antes do advento da Internet e dos blogs, sites em geral, a publicidade ainda era a mesma desde que a imprensa escrita, emissoras de rádio e TV dominavam o mercado. Havia algum espaço para outdoors e painéis de estrada e material de ponto de venda.

As agências de publicidade preferiam as mídias mais caras, porque a comissão era de 20% sobre o valor da propaganda, mais 15% sobre os custos de produção. Em caso de clientes com grande volume, a comissão era negociada e podia baixar bastante.

O mesmo com a televisão. Já o rádio é um caso curioso, porque é um veículo por excelência, é barato e eficaz.

https://lp.banrisul.com.br/bdg/link/conta-digital.html?utm_source=fernando_albrecht&utm_medium=patrocinio&utm_campaign=conta-digital&utm_term=visibilidade&utm_content=escala_600x90px

Com a internet, tudo mudou radicalmente. Os anúncios gráficos e merchandising nas televisões engoliram boa parte das verbas. Com os sites, blogs e tudo que rola nas redes sociais, estratificou mais ainda.

As agências tiveram que se esmerar em dividir a verba de forma eficiente e sempre buscando o maior número de visualizações possível. Por isso, os jornais impressos passaram a perder dinheiro. Isso porque eram cada vez menos lidos. Daí a crise que enfrentam hoje.

Mas não só. Como diz o empresário Marcos Dvoskin, hoje e, São Paulo e que foi eficiente diretor do jornal Zero Hora nos anos 1970, a ponto de mudar a imagem de jornal sensacionalista para um veículo para brigar com os grandes jornais de Porto Alegre com menos foco em polícia, houve outro concorrente: a publicidade de rua.

www.brde.com.br

Os outdoors por si só não bastam, mas paineis luminosos, propaganda em paradas de ônibus e trens com suas estações, foram comendo mais uma beira da verba do cliente. E as emissoras de TV passaram a utilizar pesadamente o merchandising. Que hoje vai do sapato ao cabelo com apelos para lojas e fabricantes de produtos de massa. 

Um exemplo que acho notável é a Fórmula 1. Não só pelos altíssimos valores envolvidos – a gigante Oracle paga 100 milhões de dólares por temporada – e publicidade em tudo que aparece na tela, uniformes de pilotos, os carros, os mecânicos, os boxes.

https://cnabrasil.org.br/senar

Vou dar um exemplo de como a criatividade das agências vai longe. Depois que a corrida terminou, os três pilotos que estão no pódio dão entrevista coletiva um por um. No fundo, um painel com propaganda clássica, mas tem mais.

Depois que colocam o boné – mais propaganda nele – os pilotos passam – sem querer querendo – a mão esquerda  na orelha ou cabeça como desculpa para mostrar o relógio que têm no pulso. Geralmente, marcas conhecidas ou modelos mais espalhafatosos que o telespectador retém na memória visual.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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