Eu e muitos editores de órgãos de comunicação recebemos diariamente centenas de releases. Sem falar nas mensagens pelo whats. Em torno de 80% delas não têm o mínimo interesse para os leitores. Pelo menos não na forma como vieram.

Quase sempre interessam apenas a empresas, famílias e personagens citados no texto. Há anos, que luto pela qualificação das assessorias de imprensa. Mas nunca sou ouvido.
Elas confundem quantidade com qualidade. Então, para agradar quem quem os contrata, maioria das vezes por preço irrisório.

Acontece que, além da enorme quantidade de jornalistas desempregados ou subempregados, as faculdades de Jornalismo despejam outro tanto de profissionais sem qualificação. Além disso, boa parte deles cursou jornalismo por causa da aura de romantismo que o cerca ou porque não tinham certeza do que fariam na vida.
Então, vem outro problema: ganha uma merreca. E como exigir deles uma qualificação que depende de estoque grande de palavras e um mínimo de cultura geral para situar a árvore no contexto da floresta?

Quando estes profissionais entre aspas vão para jornais e, sobretudo para televisões e rádios, acontece um festival de besteiras que só não alarmam os telespectadores/ouvintes porque a besteira entra por um ouvido e sai pelo outro, sem ter tempo para digerir a informação. O que tenho ouvido (e lido), meu Deus, vocês não fazem ideia.
Junto a esse quadro tétrico, a queda de publicidade nos veículos, a tragédia está completa. E eu sei o que acontece nesse mercado de assessorias.

São tantos os profissionais despejados no escasso mercado de trabalho que, se uma assessoria digna deste nome pedir xis, o cliente vai oferecer meio xis – salvo honrosas exceções – ela acaba aceitando e aviltando a profissão. Acontece muito com jornalistas pessoas físicas – ah, quando ele pediu? Quinhentos? Eu faço por 200.
Jornalismo nunca deu dinheiro, mas pelo menos tivemos mais dignidade. Pobres, mas limpinhos de corpo e alma.
Se o povo fosse sábio não seria povo.
Pensamento do Dias