Acordo, pego o remo da minha piroga e vou me deslocando no meu caminho diário. Logo na saída, um jacaré dá uma rabanada na minha frágil embarcação, se posso chamá-la assim.
Corrijo o rumo e, na última hora, desvio de um cardume de piranhas. Elas só estavam esperando um descuido meu, tipo deixar cair alguma coisa de comer, subir na viatura para atacar em bloco.
Nem cem metros adiante, duas ariranhas brigam no rio, continuação de um duelo de machos feito pouco antes em terra. Eu vi uma briga de ariranhas – são primas das brincalhonas lontras – no Pantanal, e, acreditem em mim, não é uma coisa bonita de se ver. Tamanha a ferocidade dos lutadores.

Outra figura ilustre que convém evitar é a queixada, uma espécie de porco com ferocidade de javali. Saio de perto e, tendo cuidado onde piso, porque, no chão ou em cima de um galho sobre minha cabeça, pode estar preparando o bote a cobra Bothrops matogrossensis, perto da qual a jararaca é minhoca. Este réptil é tão perigoso que pica e sai de perto para a vítima não cair em cima.
Na curva do rio, vislumbro a suave curvatura de uma sucuri serpenteando pelas águas plácidas. Está pronta para pegar uma infeliz capivara. Estas cobras não-venenosas matam por contrição, ou seja, enroscam-se no corpo da vítima e apertam cada vez mais, impedindo-a de respirar.

Quanto mais ela se debate, mais pressão. Depois a engole inteira, tendo o cuidado de começar pela retaguarda para que as unhas das patas não arranhem sua boca e garganta.

A onça pintada que vejo tirando uma sesta, mostrando o abdômen volumoso, não me assusta. Entretanto, não queria dar chance ao azar. Mesmo tendo devorado alguma vítima e sem muita vocação para comer seres humanos, nunca se sabe como seu humor flutua.
Mosquitos me atacam. Passei repelente, mas os danados voam rente ao rosto. Sem vento para espantá-los, resta-me a brisa gerada pela canoa em movimento.
O pantanal é bonito e nem merecia esse nome, porque é um rio que não respeita margens. Mas o perigo espreita os descuidados.

Chego na minha cabana à beira-rio. Adentro e me tranco. A noite vem e, a estas horas, convém não brincar fora de um forte.
Senhoras e senhores, acabei de passar por Brasília.
Usina termelétrica
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) defende o avanço, a aprovação e a implantação do projeto da usina termelétrica de Rio Grande, considerado essencial para a segurança energética, a geração de empregos, a expansão industrial, a atração de investimentos e o aumento da arrecadação na metade sul do estado. Em carta divulgada nesta terça-feira (16), a entidade afirma ser “inadmissível” que um investimento privado da ordem de R$ 6 bilhões permaneça represado por entraves burocráticos e administrativos.
Se não posso ser cabeça de baleia, não quero ser rabo de sardinha.
Pensamento do Dias