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Um país interessante

É o nosso. Nas últimas semanas, um ministro da mais alta corte julgou um caso baseando-se em uma lei já extinta. Depois uma moça do círculo do poder viaja às expensas do contribuinte calçando um sapato de 2 mil dólares.

A mesma alta corte se reuniu para julgar um caso já decidido de antemão. E não é a totalidade dos votantes, só uma turma.

Outro aspecto interessante desta democracia bizarra em que o rei divide o poder com outro rei de outro poder. Sendo que este pode mais que seu colega eleito pelo povo.

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Outra bizarrice é que o mesmo rei se diz perseguido pela mídia tendo apenas 34% de aprovação. Seria cômico se não fosse trágico, como tudo neste país, que foi descoberto há centenas de anos. No entanto, até hoje não se descobriu.

Outra glória nossa é julgar e condenar uma pessoa que pichou uma estátua com batom a uma pena maior que a de assaltantes, traficantes e outros criminosos. De onde se deduz que o que mais temem os homens de preto é um prosaico batom.

Estes mesmos homens, que não podem bem ir a um bar ou restaurante sem estar cercado de seguranças, tal qual os reizinhos de uma republiqueta de bananas. Por último, mas não por fim, este reizinho costuma dizer palavras-tambor. Bate e faz um barulho desgraçado, fura não tem nada por dentro.

O Casca Grossa

 Uma das coisas mais impressionantes desta nossa vida curta e grossa é quando existem amarras de amor e desamor. Tive um amigo mineiro que conheci em São Paulo nos anos 70, nem sei que fim levou, o Ivan Carvalho Simões. Ele me contou a história do Casca Grossa, no bar Rubayat, perto da Consolação.

www.brde.com.br

Casca era o dono de um daqueles circos mambembes que se apresentavam nas pequenas cidades do interior das Minas Gerais, no caso. Lona de caminhão, luz do gato no poste, um leão desdentado, um palhaço com uma bolinha de pingue-pongue no nariz pintada com o esmalte de unha, e uma mulher barbuda com barba postiça. Que era a sua mulher e também a cozinheira do circo. Era tudo o que a casa oferecia.

Casca Grossa era o factótum do circo. Falava o “distinto público” na abertura, estalava o chicote num pangaré que nas horas vagas tracionava a carroça do circo. Ainda jogava facas na mulher barbuda, sem a barba, amarrada numa mesa posta na vertical. Os pulsos dela estavam cheios de cicatrizes.

Um dia, Casca Grossa sumiu, abandonando a fiel parceira. Levou a lona, a carroça, o leão banguela, o mico leão dourado, todo o circo, inclusive as panelas e alguns quilos de feijão.

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Ela acordou só, desarvorada, confusa, perdida, sem dinheiro. Condoídos, os moradores arrumaram para ela um emprego de cozinheira no abrigo das freiras, só pela cama e comida.

Passaram-se anos e anos, e vez por outra, alguém se solidarizava com sua desgraça. Ela sorria, destampava e voltava a tapar a panela fumegante. Virava-se para a pessoa e dizia sempre uma única frase com uma impressionante convicção.

 – O Casca Grossa é assim mesmo. Ele foi, mas ele vorta.

*Brasil x EUA: como a regulação protegeu as farmácias brasileiras da crise que derrubou a Walgreens*

O colapso da Walgreens, rede que já valeu mais de US$ 100 bilhões há 10 anos e agora foi vendida a um fundo de private equity por menos de 10% desse valor, serve de alerta. Lá, o avanço do e-commerce, falta de farmacêutico e a integração de gigantes da saúde, como seguradoras e planos, furtos empurrou as farmácias tradicionais para uma crise sem precedentes, no pós pandemia.

No Brasil, o setor cresce de forma saudável, sustentado em parte pelas regulamentações que limitam o alcance do varejo online na venda de medicamentos.

Regulação

Aqui, a venda de medicamentos, sejam eles sujeitos a prescrição ou isentos de prescrição (OTCs), é restrita exclusivamente a farmácias e drogarias físicas, com a presença obrigatória de farmacêuticos, Isso impede que marketplaces e supermercados entrem nesse mercado, ao contrário dos EUA. A barreira protegeu o setor da disrupção que atingiu a Walgreens, permitindo que redes como Raia Drogasil, Farmácias Pague Menos, Grupo DPSP Rede Rede Drogal Grupo Panvel e Drogaria Araujo S/A continuem crescendo.

Farmácias como hubs de saúde:

Além de vender medicamentos, as farmácias brasileiras se consolidaram como hubs de saúde, oferecendo vacinas, testes rápidos, acompanhamento farmacêutico e participação ativa no Farmácia Popular, que garante acesso a medicamentos essenciais para milhões.

Mas o potencial vai além: com ajustes na legislação, as farmácias podem assumir papel ainda mais relevante:

 – Telemedicina nas lojas, desafogando o SUS de demandas simples;

 – Acompanhamento de doenças crônicas e prescrição de medicamentos de uso contínuo, com supervisão médica remota;

 – Triagem e monitoramento de saúde, com a capilaridade que o SUS não alcança sozinho.

Inclusive, a própria Abrafarma já defende esse caminho, e há conversas com o governo para ampliar a atuação das farmácias como porta de entrada no sistema de saúde, aliviando o SUS e melhorando o atendimento à população.

O que a Walgreens ensina?

A queda mostra o risco de não acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor e legislação. Embora o Brasil ainda esteja protegido, o consumidor segue mudando. E as farmácias que investirem e digitalização, CRM, Retail Media, mix assertivo, entrega rápida e novos serviços(crédito/ propaganda de fidelidade) continuarão relevantes.

No Brasil, a capilaridade das farmácias pode ser aliada do SUS, evitando a sobrecarga do sistema público.

Além de medicamentos, podem atuar na prevenção e no acompanhamento contínuo de doenças, educando para o autocuidado e ajudando o brasileiro a buscar saúde antes que a doença apareça.

Mas é preciso deixar claro: farmácia não deve ser mini mercado. Não é lugar de vender ovo, pneu, arroz ou feijão. É espaço de cuidado, orientação e confiança.

Com apoio do governo e ajustes na lei, as farmácias podem ser chave para um sistema de saúde mais acessível, eficiente e preventivo, como parceiras do SUS.

*Análise de Thiago de Melo Furbino

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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