O jornalista Machado Filho me contou uma história envolvendo seu pai, o coronel da Cavalaria João Carlos Machado, quando servia no 9° Regimento de São Gabriel. Na época, todos os oficiais contavam com um ordenança, que cuidava do cavalo que os oficiais montavam.
Sabem como é, conta o Machadinho, aquele bando de milico junto, alguns da cidade (mais malandros) e outros vindos do interior, botava apelido em todo mundo. A coisa foi ficando complicada e acabou gerando brigas entre os soldados – o causo sempre me lembra da piada antiga do marinheiro Espaguetinho e um navio à deriva em mar aberto. Mas essa já é outra história.
Voltando à vaca fria. O comandante decidiu tomar uma atitude: determinou que, no final da tarde, todos os milicos fossem colocados em posição de sentido no pátio principal do quartel. O coronel então inflou o peito e disparou.
– Tropa sob meu comando! Tenho uma comunicação importante para fazer. Aliás, é uma ordem!
A soldadesca trocou orelhas. O que viria por aí? O coronel saboreou a expectativa por algum tempo e voltou à carga.
– A partir de hoje, não quero ouvir ninguém mais ser chamado por apelido aqui no Regimento!
Silêncio geral. Machado pai seguiu adiante.
– Aquele que chamar alguém por apelido será sumariamente preso e ficará três dias na cadeia. E se alguém tem alguma objeção que a faça agora!
Diante do silêncio obsequioso de todos, concluiu:
– Que fique claro, então: quem chamar o companheiro por apelido será imediatamente preso.
E, virando-se para sua ordenança, gritou:
– Jacaré, traz o meu cavalo!