Casamento clássico, noivos no altar, padre de prontidão, padrinhos em meia lua, mães emocionadas, pais nervosos. O padre já tinha feito as preliminares da cerimônia. Então, era hora da troca de alianças.
Ocorre que elas estavam no bolso do terno novo do rapaz. E ali permaneceram em estado de hibernação e escuridão por falta de memória do dono.

O padre olhou fixamente para o noivo como a dizer “cadê as alianças?, é tudo contigo e vai logo porque tenho outro casamento em seguida”. E ele com aquela cara de babaca de quem não está entendendo nada.
A noiva começa a suar. “O que será que houve, será que ele esqueceu as alianças, meu Deus?!” Como o noivo estava com a ficha presa atrás da orelha, o padre entendeu que era hora de ação. Com o polegar e o indicador da mão direita fez um “O” e nele enfiou o dedo anelar da mão esquerda.
Mudava o “O” para cima e para baixo discretamente para ver se o noivo enfim entendesse que era hora do anel para toda a vida. Diabo de sujeito sem noção.
Por alguns segundos, o rapaz ficou perplexo olhando o vai e vem do “O” no dedo anelar do homem de Deus. Finalmente, seu rosto se transformou e abriu um largo sorriso. Tinha captado a mensagem.
Meio que protegendo a lateral da boca com a mão, com sorriso maroto, cochichou de forma que só o padre ouvisse.
– Bah! Há muito tempo, seu padre…