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Pausa no consumo

Para medir a quantidade de dinheiro do consumidor ano após ano, tenho um bom termômetro que não costuma falhar. Para isso, é preciso ver atentamente o fluxo de pessoas em determinada área, o Centro no caso de Porto Alegre. 

Nos anos em que o poder aquisitivo ainda era bom e considerando a massa dos assalariados, o fluxo era aquela parada para compras até o dia 22/22. Depois disso, ia arrefecendo e só esquentava em dois marcos temporais, dia 30 e o segundo, no dia 5 do mês seguinte.

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O dia 30 porque o funcionalismo público já tinha recebido seus vencimentos, e há uma razão para se ter essa visão: entre 30 a 35% dos porto-alegrenses são funcionários públicos ou pensionistas. Por um lado é bom para o comércio, porque a inadimplência cai bruscamente; por outro, não se pode esperar explosões no consumo. É aquilo e pronto.

O dia 5 é data em que os assalariados costumam receber seu rico dinheirinho. Então, é hora de pagar as contas e comprar alguma coisa. Só que não.

Isso foi nos bons tempos, hoje o quadro é de aperto. Então o movimento não cai a partir do dia 22, já cai a partir do dia 15.

Nos últimos dias do mês, é melancólico observar como o tambor das classes C, D e E murcha como balão de aniversário uma semana depois da festa. Só quebra essa regra quando o sábado cai no dia 31, dia em que a maioria marca como a virada do cartão.

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Para veteranos como eu, é dolorosa a comparação com décadas anteriores, quando ainda existia classe média. Salvo uma minoria, pula-se da classe C para a alta classe média. Não há faixa intermediária. Ou você tem para gastar ou não tem.

A vez dos europeus

O diretor e ator Clint Eastwood, 95 anos, reclamou da qualidade dos filmes produzidos por Hollywood, e também das franquias. Um filme bem sucedido leva os estúdios à continuação, raras vezes com brilho.  Como diz o ditado, quem não faz, leva. Plataformas como o Netflix estão exibindo filmes e séries européias, coreanas e turcas de boa qualidade. Vi uma série boa produzida na Escócia, Departamento Q.     

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Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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