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Passava sim

Quando eu tinha meus 18 anos, o pai me pedia para buscar a Kombi no estacionamento de uma oficina próxima de casa. Mesmo tendo que acordar cedo, eu ia todo serelepe buscar a possante. Afinal dirigir por três ou quatro quadras sempre melhorava meu aprendizado na direção.

Certo inverno, com frio de rachar, fui ao estacionamento e liguei o motor, esperando que ele esquentasse um pouco. Na minha frente, um palestino que tinha uma lojinha e um carrinho inglês chamado Cônsul tentava fazer o mesmo. Mas o motor só ligava por alguns segundos.

Então ele me chamou.

– Batrício, faz favor bra amigo. Senta na meu caro e liga o aranque. Vou ver se passa corente no distribuidor.

Achei meio perigoso, afinal a corrente era de alta amperagem. Entretanto, não me passou pela cabeça como ele iria saber. Ele abriu o capô do autinho inglês e gritou:

 – Bode virá!

Toquei no botão de arranque e o motor fez NHEM NENHEM. Em seguida, ouvi um estrondo. Cortei e fui ver o que houve.

O batrício tinha tirado a proteção do distribuidor, botou a mão no polo e mandou eu virar o arranque. O choque o levantou e deu de cabeça no capô. Passava corrente sim, não era por aí.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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