Os publicitários Gil Kurtz e Henrique Rosa propuseram ao STICC – Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil – uma campanha para combater o feminicídio usando a analogia com uma
obra. O slogan “Respeito é o alicerce de tudo” apresenta a chaga como resultado previsível de uma sequência de falhas não corrigidas, à semelhança de uma obra mal conduzida.

Manchete
No jargão das redações, toda manchete de um dia obrigatoriamente deve ser “suitada” no dia seguinte. Às vezes, o assunto é destaque internacional. Então é mais difícil. Mas todo bom pauteiro dá um jeito de dar continuidade local, mesmo que o assunto seja além-fronteiras.
Fui pauteiro, e sei bem o que é isso. É preciso ter alcance e amplo espectro cultural para dar cabo da tarefa.

Da mesma forma, toda grande matéria deve ser desdobrada durante os dias seguintes à sua publicação. Falo isso para comentar os recentes escândalos envolvendo figurões da República, incluindo ministros do Supremo.
O nacional-local
Os recentes acontecimentos envolvendo ministros do Supremo e um banco que nasceu para quebrar é um desafio para dar seguimento ao que já se sabe ou se desconfia. Mas quando o assunto é nacional, puramente nacional, as redações precisam pautar suítes (seguimento) igualmente nacionais. Ou aguardam novidades que, no caso dos recentes acontecimentos, vêm e virão ao natural.
Mas chegará um momento em que ou as instituições envolvidas, o Supremo no caso, toma uma iniciativa drástica ou ficaremos dando volta no mesmo lugar como uma piorra ensandecida.

Poderá ser o caso, se esse círculo vicioso não for rompido. E a história do Brasil mostra que isso é perfeitamente possível.
O gaúcho imutável
O Rio Grande do Sul é o estado mais previsível do Brasil. Todos os anos se repetem os mesmos comportamentos. Década após década, as famílias saem dos seus lugares de origem e marcham como gnus em migração rumo ao Litoral daqui ou de Santa Catarina.
Uma parte da manada demanda a Serra. Entretanto, o grosso vai mesmo salgar a retaguarda no Litoral, tão logo termine a ressaca do Ano Novo. E é nos meses de janeiro e fevereiro que a maioria goza férias.
O Carnaval divisor
Tão logo o último rolo de serpentina seja atirado, na terça-feira gorda, a gauchada faz as malas, enrola os cobertores e coloca a tralha doméstica em cima do teto do carro. Os comerciantes das praias sabem que a alegria e o faturamento terminaram.

Resta aguardar os veranistas de março, assim como houve um batalhão precursor em dezembro. Nas rodovias de acesso ao Litoral, também se repetem as ondas dos que vão para as praias nas sextas à noite e os que voltam para casa domingo de noite ou segunda de manhã. Tão certo como o Sol se põe e nasce.
O gaúcho-ampulheta
Até os anos 1990, pouco mais pouco menos, havia outro ritual para os chamados maridos em férias. Eles procuravam casas noturnas durante os dias de semana e se deslocavam para os braços das esposas nos finais de semana.
Um dos templos da volta dos maridos em férias era e ainda é, em menor escala, a Churrascaria Barranco de Porto Alegre. Era a maior concentração destes previsíveis seres. Tão imutáveis quanto o escorrer da areia em uma ampulheta monotonamente virada.
Em caixa
O Fundesa (Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Estado) encerrou 2025 com um saldo de R$ 181 milhões. O montante assegura a capacidade de resposta imediata em casos de emergências sanitárias e sustenta investimentos contínuos em programas de prevenção e monitoramento das cadeias produtivas de proteína animal. A prestação de contas foi entregue pelo presidente Rogério Kerber e conselheiros da instituição ao secretário da Agricultura, Edivilson Brum.
Pra tudo se acabar na quarta-feira.
Pensamento do Dias