“Há alguns anos, enquanto almoçávamos, minha mulher e eu, numa esquina da Praça do Comércio, em Lisboa, perguntei ao garçom sobre onde poderia adquirir tickets para o transporte urbano. Ele se postou atrás de mim e apontou para um ponto junto à praça: “Naquele autocarro vermelho ali, senhor.”
Eu procurei, em vão, qualquer veículo grande e vermelho. Depois, busquei qualquer coisa vermelha na direção indicada. Nada.
O garçom, sempre solícito, inclinado sobre a mesa, atrás de mim, insistiu apontando: “Ali, senhor!”, como se o diabo do autocarro estivesse entrando pela janela.
Depois de alguns instantes nessa conversa inútil, pondo os óculos, tirando os óculos, ele desistiu: “Bem…, se o senhor não vê, é porque ali não está!”.
Tudo não passava de uma troça. Rimos os três, ele me deu a orientação necessária e foi embora.”
(* do escritor Percival Puggina)