Nos meus tempos de universidade na UFRGS, uma garota que não cursava nenhum curso vivia circulando nas rodas e borboleteando no entorno do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia, que englobava vários cursos, como Jornalismo. Ela chamava atenção por ter um corpo bonito e usar minissaia atrevida para a época, e por estar sempre com botas brancas.
Foi apelidada de Chica Boa, alusão ao picolé Chicabon, da Kibon. Ninguém sabia seu nome verdadeiro.
Em conversas, ela sempre dizia que seu sonho era ser médica, aspiração que despertava sorrisos. Ela não tinha cara de quem passaria no vestibular. Mas eu observava que coragem ela tinha.
Passada mais de uma década, perguntei para um arrendatário do bar da Filô como era chamado, se ele tinha notícias da Chica Boa. Sim, disse ele, um português, ela formou-se em Medicina.