Um sapo viajante voltou das nascentes dos afluentes do Guaíba e aquaplanou até meu bairro. Como batráquio não sabe pegar elevador, só sabe nadar com as patas traseiras e nem mesmo alcança os botões dos andares, mandou recado pelo porteiro dizendo que não preciso me preocupar. Ainda não será desta vez que teremos repeteco da enchente do ano passado.
Os sapos são seres curiosos, viajam muito mas não têm diário de viagem para mostrar aos humanos. De vez em quando, um deles já foi príncipe por obra de uma bruxa.

Mas basta beijá-lo para que volte ao que era, desde que seja mulher jovem e bonita e supostamente deficiente visual, porque só assim para beijar aquele bicho viscoso.
Mas eu lá vou confiar em um animal que adora ficar molhado? Como diz minha mulher, fica com cheiro de cachorro molhado. Dois em um, então.
Outro mundo é possível
Essa é uma realidade gaúcha. No auge da enchente passada, os técnicos divulgaram um dado espantoso, Porto Alegre tinha mais água que todo o Guaíba.
Ainda o chamo de rio, mas dizem que o certo é chamá-lo de lago. Embatuquei.

Aprendi cedo que lago é uma porção de água cercada de terra por todos os lados, mas suas excelências criaram esse monstrengo vernacular por algum motivo e, sabemos, que sempre tem algum interesse por trás. O ser humano não falha.
O mundo visto do alto
Leio que o mercado residencial de ultra-luxo em São Paulo é caracterizado por um seleto grupo de coberturas que alcançam preços impressionantes, variando de 120 milhões de reais a 215 milhões de reais. Essas propriedades não são meros apartamentos, mas sim extensas e meticulosamente projetadas propriedades urbanas que oferecem exclusividade e comodidades inigualáveis.
E eu pensando que bastariam uns 15 a 20 milhões para comprar um belo espaço aéreo. Digo mais: nele ergueria uma espécie de galpão crioulo de madeira, pé-direito baixo, lareira e cama com colchão de palha de milho e cobertor de penas de ganso para dormir bem no inverno.

No espaço que sobraria nessa cobertura, digamos uns bons 300 metros, plantaria algumas árvores frutíferas de baixa altura, como pitangueiras, mais aquela espécie de laranjeira que dá laranjas pequenas com casca doce e lotadas de vitamina C. Uma estufa serviria para plantar moranguinhos e outras frutas rastejantes.
Para imitar os velhos tempos, na entrada colocaria no capacho aquele aviso “seja bem-vindo mas limpe os pés”, mas só pelo clima. É brega, eu sei. Poucos entrariam no meu recinto sagrado.
Ah sim, uma churrasqueira para outros fazerem churrasco, porque eu mereço o ócio depois de 56 anos de jornalismo, fora emprego duplo.
Diga o nome de uma só efeméride que não envolva dinheiro.
Pensamento do Dias