Quando era gurizote, meu pai tinha uma camioneta Studbacker, semelhante a um Ford F-100, alta, possante e capaz de encarar os maiores atoleiros. Naqueles tempos, pouco asfalto e muito “tatu”, nome que se dava a atoleiros, porque o bicho cavocava buraco.
Tinha que ser braço. Atravessar trechos de barro sem cair para as valetas laterais e delas só sair com auxílio de junta de bois não era fácil.
Perto da localidade de Santa Terezinha, distrito de Bom Princípio, havia uma estradinha miserável para subir o Morro Tico- Tico que desafiava a perícia de motorista veterano. Em determinado trecho, sempre havia um barral, mesmo em tempo seco. Coube ao meu pai estranhar essa situação, porque era inevitável que fosse preciso chamar um lindeiro com sua junta de bois para salvar a pátria.
Um dia, ele pediu que outros motoristas ficassem de campana para saber como, em tempo seco, uma estrada poeirenta virava atoleiros sem mais nem menos. Tempos depois descobriram o “milagre”.
Quando não havia ninguém à vista, o colono enchia um barril com água e batizava diversas vezes o trecho. Foi o milagre da transformação de poeira em barro.