Porto Alegre deve ter mais cafeterias que outras capitais brasileiras em relação ao número de habitantes. Pelo menos parece.
Percorri vários bairros além das áreas centrais, e vejo novas operações. Não quer dizer que sejam dignas deste nome.
Mais do mesmo
A maior parte oferece um café que nem de longe merece ser “especial’. Na maioria das vezes, é café mal tirado e sem capricho.

Vai longe o tempo em que se fazia concursos para escolher os melhores baristas, lembram deles? Hoje, os caras fazem uma operação burocrática. Cafés especiais mesmo são minoria.
A falta que ela faz
Se observarmos uma máquina de café italiana, que são as melhores, veremos que, na parte de trás, há um espaço para colocar uma garrafa de água mineral. Café especial com água de torneira nunca será especial.
Mesmo as máquinas comuns que se vê nas cafeterias deveriam usar água pelo menos filtrada. A diferença no gosto é notável.
Café de chaleira
O tradicional café de chaleira dos gaúchos praticamente desapareceu. O tradicional era esquentar a água a ponto de fervura, despejar o pó e, em seguida, mergulhar um tição ou algo em brasa.
Toda a borra se deposita no fundo, e o café servido tem gosto 100% melhor que o coado. Também pode ser chamado de café árabe, ou turco.

Para conseguir um café com esta qualidade, existe algo que substitui o tição. Assim que o pó se dissolver na água quase fervente, coloque uma pequena quantidade de água fria puxando para a gelada.
O efeito é praticamente igual. Faça isso e depois me diga se o gosto não melhorou.
O café do Paixão
Em 1973, o folclorista e pesquisador da cultura gaúcha Paixão Cortes foi contratado pela Dínamo de Café solúvel para um comercial de TV. Ele entrava em cena falando alto e bom som “Chega de café de chaleira!”.
Foi um escândalo. Eu era amigo do Paixão e posso contar o caso como o caso foi.
O café árabe
A repercussão foi tanta que um grupo dos centros de tradição (CTGs) foram ao Palácio Piratini pedir ao governador Euclides Triches que expulsasse Paixão Cortes do Rio Grande do Sul, por tamanha blasfêmia.
A crença era que café de chaleira era invenção gaúcha. Claro que Triches não atendeu o pedido.
A bombacha turca
Pacientemente, o pesquisador explicou que tapetes e ilustrações antigas expostas no Museu do Louvre mostravam o preparo de café antes da gauchada pensar nisso. Mais: a bombacha, dizia Paixão, também não è coisa guasca, a bombacha era criação turca.

Mais uma vez, quiseram queimar Paixão vivo. Ele sorria e mostrava fotos de turcos de bombacha em tapeçarias antigas também expostas no Louvre.
IA da inadimplência
A transição do mercado de apostas para um modelo mais corporativo e regulado trouxe maior segurança jurídica para operadores e consumidores, No entanto, evidenciou uma lacuna no mercado: a ausência de plataformas independentes capazes de organizar, interpretar e transformar o grande volume de informações disponíveis em inteligência prática para o usuário.
No popular: vai crescer o número de inadimplentes no país. A compulsão pelo jogo, especialmente nas versões online, está causando uma devastação nas famílias.
Não adianta colocar no fim dos comerciais de TV “jogue com responsabilidade”. É como colocar numa garrafa se cerveja ou cachaça, que um alcóolatra compra, o aviso “beba com moderação”.