Não me entendam mal, ela está nesta posição para contrastar com a ilha de diagramação do Jornal do Comércio. Toda serelepe, a fotógrafa Tânia Meinerz tem fotos na Exposição do Museu da Arte do Paço.

Ela é muito boa no ofício. E, às vezes, comunicamo-nos em alemão.
Saudade dos bancos
Como era descomplicado o tempo em que se ia ao banco pedir a declaração de rendimentos para o Imposto de Renda. Hoje, a maioria exige que se entre no aplicativo da instituição e, depois de um longo, sinuoso e às vezes frustrante caminho, chega-se lá. Ou não.

Os aplicativos mais confundem que ajudam. E há uma explicação para isso, embora não justifique esse hermetismo.
Quem desenha estes aplicativos parte do princípio que chamo de burrice de guri. Como sabe navegar nele, acredita que todo mundo o saiba. Mesmo os idosos – que até tirar dinheiro ou extratos dos caixas eletrônicos os deixa inseguros.
Acontece a mesma coisa com os manuais de eletroeletrônicos. É técnico ou engenheiro acha simples o que escreveu e imagina que qualquer criança entende.
E aqui entra outra problemática sem solucionática, como dizia o presidente do Corinthians Vicente Matheus. Como a palavra é um insumo barato, os brasileiros a usam mesmo sem necessidade, o que torna uma informação simples em algo muito complicado de entender.

Nunca entendi porque as fábricas que produzem estes produtos não contratam bons jornalistas para dar o recado sem muita voltinha feito piorra. Se bem que, depende do jornalista.
A arte de complicar assuntos simples faz parte do DNA de boa parte dos brasileiros. Quem consegue dar o recado falado mais à sua maneira é o povão, incluindo os analfabetos funcionais. Podem ver que, desde sempre, ele usa o caminho mais curto para dar recado.
Certa vez, vi uma entrevista na TV de uma senhora humilde se queixando dos assaltos. “Fui roubada do meu relógio”, disse ela.

Observem a sutileza da definição. Compositores como Adoniran Barbosa foram mestres para as músicas cantadas pelos Demônios da Garoa. E a faziam com graça e rima com melodia de acordo.
O Arnesto nos convidou
Pro samba, ele mora no Brás
Nois fumo e não encontremo ninguém
Isso não se faz, Arnesto
Você devia ter ponhado um recado na porta
Errado pra caramba, mas hilário para quem ouve o samba. Adoniram também era um gênio nas letras pungentes.
Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Você travessou na contramão
Eu falava mas você não não escuitava não
Iracema, você travessou na contramão
De lembrança eu guardei su sapato
Iracema, eu perdi o seu retrato
Só um gênio popular escreve assim.
A vida é um vale de lágrimas com algumas risadas no caminho.
Pensamento do Dias