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Meu caminhão parado

Ao ver uma foto no Face dos anos 1950 mostrando o Ginásio São João Batista de Montenegro, imediatamente me vieram à lembrança os anos que lá estudei. Tempos de disciplina férrea e cobrança severa dos pais caso relaxássemos nos estudos.

Aulas pela manhã e pela tarde, menos nas quartas-feiras, que eram dedicados aos esportes. Um contemporâneo postou um comentário que havia gasto muitos tênis naqueles anos jogando futebol…de tampinha de refrigerante, que na época eram de latão.

Pois não é que eu também joguei essa modalidade de futebol? À primeira vista, era algo insano, ora onde já se viu. Mas bolas de futebol eram caras e a alternativa eram as de pano. Uma “bola” que não rolava no chão e precisava de maestria apenas para mudá-la de lugar.

Tudo era tosco naquela época. Nossos pais não tinham dinheiro para algo mais caro. Como eu queria ter um autinho ou caminhãozinho de metal! Mas não dava. Com oito ou nove anos, eu improvisava. E graças a esses improvisos, a imaginação transformava até arruela em pneu de caminhão.

Uma forma de ter um “caminhãozinho” consistia em reunir três latas vazias, enchê-las de areia e colocar a tampa com furo no meio. Um cordão as mantinha unidas, e um fio amarrado nelas chegava na mão. Era mais para comboio, porém eu transformava latas em caminhões da Ford, International, Dodge, Mack e de outras marcas que existiam.

Outro brinquedo era fingir que se estava na boleia. Dois pedaços de madeira faziam as vezes de embreagem e freio e um terceiro, retangular, era  acelerador. A alavanca do câmbio era feita com cabo de vassoura velha enterrado no solo macio. Já a direção consistia em uma tampa de lata para guardar banha de porco.

Posso garantir que muito viajei pelo Vale do Caí a bordo do meu possante, que não saía do lugar apenas para os que não tinham imaginação. O meu foi até o Rio de Janeiro. Te mete.

Eu era feliz com meu Ford V8 que não saía do lugar. Muito feliz.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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