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A federação que nunca existiu

Antes dos anos 1930, os estados brasileiros brigavam entre si para atrair investimentos como hoje, evidentemente sem os instrumentos de atração atuais. O Rio Grande do Sul era forte, Minas Gerais e São Paulo brigavam entre si e, às vezes, uniam-se, união chamada café com leite. 

Então veio a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas. A pretexto de reforçar a Federação, acabou por centralizar o poder. GG já mostrava como era matreiro. Mais tarde, fundou quase ao mesmo tempo o PTB e o PSD, esquerda e direita ao seu modo.

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Hoje, glorifica-se o gaúcho de São Borja. No entanto, ele errou muitas vezes – inclusive implantando a ditadura do Estado Novo -, e errou feio. Para mostrar que o governo federal, então no Rio de Janeiro, não iria tolerar Estados independentes como nos Estados Unidos, em que a federação é um fato, legislando até sobre velocidade máxima nas rodovias, determinou que sua filha Alzira promovesse uma queima coletiva das bandeiras estaduais em uma praça de São Paulo.

Também queimaram os escudos e quebraram os discos com os hinos e demais símbolos físicos de cada um. Estranhamente, essa queimada é pouco lembrada, embora exista fartura de filmes e notícias em jornais e revistas, incluindo cobertura das principais rádios do país.

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O ardiloso Getúlio já tinha preparado a estratégia de destruir a Federação sob pretexto de fortalecê-la. Para dar uma ideia da dualidade do doutor Getúlio, conta-se que, certo dia, ele estava na sala do Palácio do Catete tendo ao lado sua esposa, dona Darcy, que tricotava, quando entrou o tribuno e orador oficial do getulismo, o cachoeirense João Neves da Fontoura. Era um tipo magro, baixo, sem  vocação para lutar na linha de frente.

 – Doutor Getúlio, discuti com o João Alberto e ele me deu uma bofetada.

E contou o ocorrido. João Alberto foi da linha de frente da Revolução de 30. Finda a narrativa, o presidente falou.

  – Tens toda a razão.

Pouco tempo depois, João Alberto entrou na sala e contou uma desavença com João Neves e falou que tinha dado uma bofetada no tribuno.

–  Tens toda a razão – falou Getúlio.

Depois que ele saiu, dona Darcy não se conteve.

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– Mas marido, deste razão aos dois!

 – Tens toda razão, mulher.

Esse era Getúlio Dornelles Vargas.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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