Quando uma paróquia de pequena comunidade interior do estado, geralmente na região de colonização alemā, queria obter fundos para a construção de uma nova igreja ou reforma da antiga. O padre vigário criava uma festa dominical, com atrações que atraíam até fiéis de outras religiões.
Basicamente, era um miniparque de diversões, quase sempre com as mesmas atrações. Eram comuns nos municípios do Vale do Caí e delas tenho saudades, menos pelo evento em si e mais porque me transportam à minha infância. Aliás, outra festa está já para adultos eram os kerbs, geralmente na semana do padroeiro da cidade.
No primeiro caso, elas aconteciam no entorno do templo. A pescaria consistia em uma vara com gancho com a qual se “fisgava” um prêmio enterrado numa caixa de areia.
Podia dar zero prêmio podia pagar apenas o que se pagava para pescar. Claro que a banca sempre ganha, sábia verdade ignorada pelos viciados em bets.
Para mostrar interesse por uma guria, um mural aceitava recados. Ideal para tímidos.
As mulheres entravam com cucas e biscoitos. Almoço – que dependia da boa vontade das senhoras – com rocambole de carne e a indefectível salada de batata.
Os adultos se aglomeravam no balcão da “venda”, armazéns com l subtítulo de secos & molhados. Como parte ia para o fundo de construção ou reforma da igreja, o padre absolvia de antemão os borrachos que abusVam da cerveja ou do SCHNAPS, chamada de água que passarinho não bebe.
Bebida sem álcool chamada de spritzbier, que apesar do nome era um refrigerante artesanal à base de gengibre. Ou xarope de groselha com água. Colonos eram pobres naquela época.
A atração adulta maior, depois de molhar as palavras, era o bolão, jogado em canchas improvisadas de tábuas com troncos de coqueiro no fundo para amortecer as pesadas bolas. Depois de algumas cervejas intercaladas com goles de shnaps era comum a bola se recusar a aterrissar e, eventualmente, ser jogada algures.
Poucos sabem, mas quem regulamentou o jogo de bolão (boliche) foi Martinho Lutero. Isso mesmo, o criador do protestantismo.
Botou ordem na bagunça e estabeleceu que deveriam ser 10 pinos, mais tarde modificado para 9. Os pinos representavam os pecados a serem derrubados. O bolão era muito popular na Alemanha no século XVI.
Já o Kerb era outra história. Começava após a missa dominical. Na saída, uma banha liderava os fiéis para o salão de baile.
No teto pendia uma garrafa de cerveja. Quem a arrancava tinha que pagar a primeira rodada para todos. Acreditem, brigavam para ter esse privilégio. O baile nunca era no sábado porque o padre temia que os fiéis ficassem em casa dormindo, no domingo. para curar a ressaca em vez de ir à missa.