A maioria dos restaurantes famosos do passado da cidade já foram cantados em prosa e verso. E os mais jovens devem ter lido algo sobre eles, se é que ainda leem sobre estes assuntos.
Treviso 24 horas todos conhecem pelo menos de ouvir falar. Mas, colado a ele, havia outro que poucos lembram, o Graxaim, que era do segundo time. O Naval, também no Mercado Público, que funciona até hoje, tinha outra proposta. Como o nome dizia, era frequentado por marinheiros quando o Cais Mauá ainda fervilhava de navios. Barra pesada após a quarta dose de rum, às vezes misturada com Coca Cola – o nome internacional era Cuba Libre. Sim, o Gambrinus sempre foi o mesmo.
Ocorre que, na Otávio Rocha, dois do mesmo dono tinham boa comida, a Churrascaria Quero Quero e o Restaurante Napoleon, do ex-mordomo do armador e marido de Jacqueline Kennedy, Aristotole Onassis. Esses gregos, sempre aprontando.
Mas a China Gorda, já ouviram falar? Ficava na Azenha, e o dono tinha esse apelido. Especialidade: galinha ao molho pardo, que fazia como ninguém. Ame-a ou deixe-a, não tem que gostar mais ou menos.
Na Cristóvão Colombo, na altura da Câncio Gomes, uma churrascaria de ponta, Rancho Alegre. Carne macia era loteria, porque os bois eram abatidos quase quando já estavam de bengala, mais de cinco anos. O Rancho Alegre caprichava na matéria-prima.
Havia uma outra que ficava quase escondida em rua atrás da avenida Ipiranga, do lado que dá para o Partenon, pouco adiante da Princesa Isabel. Chamava-se Dois Maninhos e foi uma casa pioneira em oferecer a cerveja uruguaia Nortenha, de litro, teor alcoólico baixíssimo, talvez por isso garrafa de litro.
Na avenida Assis Brasil, defronte à 9a Delegacia, a Cabana do Santos, uma das mais antigas da cidade. Na Getúlio Vargas, duas casas, a Churrascaria Itabira, muito frequentada por jornalistas, e a Moenda, número 1020. Na Vila Dona Teodora, atrás da hoje Estação Farrapos do Trensurb, reinava a Churrascaria Ao Coração, o único da cidade que servia coração de boi no espeto.
Em Ipanema, o Negrinho do Pastoreio. Na 24 de Outubro, dois estabelecimentos famosos, O Archote, número 909, e o Grumete, mesma rua número 905. Eram mais sofisticados, ou seja, não eram pro meu bico.
Em matéria de lasanha, a referência era o Roma, na Gaspar Martins. Massas do norte da Itália foi especialidade da La Casa del Nono, na Félix da Cunha, 324, entre Farrapos e Cristóvão Colombo. A massa vinha em travessas retangulares e nada a ver com as tradicionais tipo galeterias.
Até na hoje aristocrática Diante Ribeiro, 141, existia o restaurante St.James; na subida da Santo Antônio, o Etruria, muito famoso. Perto dele, o Bar Amarelinho, local de amassos MA NON TROPPO. Mas essa já é outra história.