Usava-se essa contração que, por extenso, é “coisa de louco” para ilustrar algo muito estranho. E, nessa lista, um dos episódios que mais me chamou atenção foi o caso de um jornalista da Assembleia Legislativa que ganhou uma pequena fortuna por não ser funcionário da Casa do Povo. Explico o caso como o caso foi.
Nos anos 1970, o RF (apelido) trabalhava no gabinete de imprensa da Assembleia, e assim o conheci. Fazia tudo que um jornalista fazia, redigia matérias, entrevistava deputados para abastecer os jornais, gravava entrevistas para emissoras de rádio e cumpria rigorosamente o horário. Trabalhava o dia inteiro.
Quando completou 30 anos de serviço, entrou na Justiça do Trabalho. Pediu tudo que se pede numa ação destas, adicional noturno, hora extra etc, com um detalhe: salários dos 30 anos, FGTS, férias 13º.
Acredite: ele nunca foi funcionário registrado. Todos achavam que ele era jornalista da casa porque estava sempre lá.
Claro que preparou o golpe. Serviço público não tem patrão de carne e osso, E, como os deputados nem sempre se reelegiam, nesses 30 anos, era uma cara nova para os deputados e assessores.
RF me contou o caso certa tarde, no início dos anos 2000, numa cafeteria do centro de Porto Alegre. Fez questão de pagar a despesa.
Fiquei sentado por bons 10 minutos de boca aberta. Como pode, me perguntava, e eu mesmo respondia: no Brasil, pode.