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Bolsa brasileira

Amigo, boleia a perna
Puxe o banco e vá sentando
Descansa a paia na orelha
E o crioulo vai picando
Enquanto a chaleira chia
O amargo eu vou cevando

Assim começa a letra de uma antiga música gauchesca que é ideal para começar uma trova que tente entender o que está acontecendo no Brasil. Vamos começar por particularidades que se entende em parte. Mas que, no conjunto, causam estranheza. Atende pelo nome de bolsa brasileira.

Em todas as épocas, as bolsas acompanham a economia com alguns sobressaltos quando acontece algo ruim na política ou que afete o dia a dia da população, como pandemias e desastres naturais. Mas não no Brasil de hoje.

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Ela chegou a 187 mil pontos, enquanto a economia engatinha e, em 2025, mal e mal ganhou do crescimento vegetativo, o que será confirmado quando sair o número oficial do PIB. Tudo tão estranho…

Um banco torto

Que nem mesmo foi digerido até agora. O Banco Master era e ainda é um conjunto enorme de obscenidades contábeis em que seus títulos eram lastreados em fumaça ou se adonando de patrimônio alheio sem conhecimento dos donos, caso dos terrenos do atleta Ronaldinho Gaúcho que geraram Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) para o Master, que nem sabia da história.

www.brde.com.br

Quer dizer, tudo era falsidade. É de se perguntar o que era legítimo nas suas operações.  

O meio mundo que não cai

Todo santo dia, aparece mais uma trampa. E o banqueiro Daniel Vorcaro se gabou, já em fase de depoimentos para a Polícia Federal, que se dava bem com figuras importantes do governo, do Legislativo e do Judiciário.

Fico na dúvida se era apenas gabolice ou um recado aos navegantes. Porque sabemos que, se estes nomes que se beneficiaram do Master de uma forma ou outra, ganharem as páginas dos jornais, cai meio mundo em Brasília, como disse a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Então, aí entra a parte da música que fala “puxe um banco e vai sentando”. Du-vi-de-ó que essa lista venha a público. Pelo menos os nomes mais importantes.

Enquanto seu lobo não vem

Falamos e escrevemos, todos os dias, sobre o escândalo do Banco Master. Entretanto, o escândalo dos descontos indevidos dos aposentados pelo INSS, que chegou a 6,4 BILHÕES de reais, vai tomando o rumo da Pizzaria Brasil.

Só dói na metade

A economia patina, o número de lojas vazias aumenta em Porto Alegre. O consumidor já está no último furo do cinto. E quem vai bem no Brasil?

O andar de cima. E, por incrível que pareça, o andar de baixo. O que recebe o vários benefícios sociais do governo, agora acrescido pelo Botijão do Povo.

https://www.senar-rs.com.br/

Explico: para quem estava desempregado ou ganhava salário mínimo, a soma de recursos tipo Bolsa Família para a camada de baixo permite sobreviver e viver melhor do que se trabalhasse em um emprego normal.

Isso sim que é paradoxo. Quem se estrepa no Edifício Brasil é quem mora nos andares intermediários.

Do rentismo à real

Rentismo é o genérico de viver de rendas do mercado financeiro graças à Taxa Selic. Mas há quem veja o fim desse ciclo no médio prazo. Isso porque a tendência seria a busca por ativos lastreados na economia real.

Para acontecer, a Selic deveria cair para níveis razoáveis. Além disso, a economia real teria que crescer para níveis satisfatórios. No horizonte visível, não aparece nenhum dos dois cenários.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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