Se um político bebe uísque ou espumante em lugares públicos, será chamado de bêbado. Se beber cachaça, será considerado um homem do povo. Com o advento do politicamente correto, a bebida está ausente nos seus perfis.
Já foi diferente em épocas passadas, quando beber fazia parte da liturgia do cargo. Se recusasse um convite para uma cachacinha ou chope, era considerado esnobe.

Mas tudo tinha limite. Um vereador já falecido costumava dizer que as três piores dificuldades em uma campanha eleitoral era aguentar mordida de bêbado, latido de cusco nos calcanhares e carreteiro de vila. Não foi reeleito, embora gostasse muito de ajudar o balanço da Brahma.
Nos anos 1950 e 1960, era costume deixar garrafas vazias de cerveja nas mesas para mostrar como o dono da festa era bom de bico e de trago. Claro que brigas eram frequentes nestes encontros.
Os bolsos do senhor Morita
Quando a Sony lançou o primeiro radinho portátil do mundo, os vendedores da empresa não ficaram tão entusiasmados com a novidade. Rádios anteriores ao transístor eram grandes porque precisavam de válvulas, que comiam muita eletricidade, demoravam para esquentar.

Os gabinetes dos rádios eram grandes, e os consumidores associavam tamanho à qualidade. Então o que um nanico como o Spika poderia atrair compradores?
Isso caiu nos ouvidos do fundador da Sony, Akio Morita. Pacientemente, a empresa tratou de convencer o corpo de vendas falando das vantagens dos rádios a pilha, sem “gastar luz”. Portáteis, podiam ser ouvidos nos trens e ônibus e até mesmo no banheiro na hora de tomar banho.

A maioria se convenceu, mas alguns recalcitrantes ainda botavam minhoca das vantagens, afirmando que ele não cabia no bolso do paletó. Morita ouviu esse derradeiro argumento de não-venda com uma engenhosa solução:
Os paletós dos vendedores passaram a ter bolsos maiores, a tal ponto que cabia um Spika. Cabeça não é só para ficar careca ou usar chapéu.
Cão que ladra não morde, mas ele não sabe ler.
Pensamento do Dias