Porto Alegre é um balzaqueana com idade de asilo, que acredita ainda ainda ser atraente. É a imagem que me passa uma cidade que já foi bela e glamourosa, e que sofre do Mal do Poder Aquisitivo Baixo.
Crianças, vocês não têm ideia como ela era até os anos 1970, antes que o exército dos camelôs e ambulantes-que-não-ambulam ocupassem o centro com suas tropas de choque.
A expulsão da classe média.
Há um marco zero da antiga cidade bonita para uma ocupação que expulsou a classe média, que hoje se refugia nos shoppings. Na segunda metade dos anos 1990, a prefeitura permitiu que essas tropas entrassem no centro, leia-se Rua da Praia e transversais antes das 18h. Aí se foi o boi com corda e tudo.

Para piorar, o prefeito da época, Olívio Dutra, proibiu a construção de edifícios-garagem no centro. Aconteceu o que era esperado, os médios foram para os shoppings onde eram bem recebidos. Ou criaram espaços para tribos em ruas, caso da Padre Chagas que me referi ontem. Cujo ciclo se encerrou.
A pausa que refrescou
Nos primeiros anos de 2000, o prefeito José Fogaça mostrou coragem, deu prazo para os camelôs saírem da área central e se mudarem, de mala e cuia, pra o Camelódromo, na rua Voluntários da Pátria, em prédio construído para este fim. Funcionou até a entrada do sucessor de Fogaça.
O dinheiro está lá fora
Desde os anos 1990, firmei convicção: o dinheiro está no interior do estado, graças ao agro. Então, se a cidade padece deste mal, salvo alguns bairros residenciais, mas com comércio de rua onde se respira dinheiro, somos uma cidade com 30% a 40% de funcionários públicos ou de estatais.

Nada contra, mas insisto, a antiga classe média foi sucateada. Sobraram os muito ricos e os muito pobres, com uma estreita faixa entre estes dois.
E o poder público não ousa mais como na década de 1970, quando os prefeitos construíram túneis e viadutos. Por outro lado, assim como mulheres capricham para ter uma primeira boa impressão, as calçadas fazem este papel e adivinha: elas estão em péssimo estado por onde se vá.
Mal do milênio
Impulsionada pelo aumento dos casos de ansiedade, depressão e burnout e pela maior conscientização sobre o tema, a busca por atendimento em saúde mental também abre espaço para soluções inovadoras.

Esse foi o ponto de partida para o 100 Neura, projeto desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por estudantes do UniSenac – campus Porto Alegre, e que hoje está em fase de validação e desenvolvimento da sua primeira versão.
Indústria criativa
O Sistema FIERGS lançou o programa Elas Criam, que oferecerá capacitação gratuita para mulheres que já atuam ou desejam ingressar no ramo da indústria criativa – especificamente nos setores de moda, design e artes visuais. Desenvolvido nos municípios de Alvorada, Torres e Santa Maria. Informações no site www.sesirs.org.br/elas-criam.