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A Zona da Mata

Antes do advento das urnas eletrônicas, as apurações demoravam dias e até semanas no caso de lugares distantes e com dificuldades e estradas ruins e poucas. Era o caso do Amazonas, mas também no Rio Grande do Sul politizado isso ocorria.

Claro que as cidades longínquas eram as últimas a serem apuradas. Caso também dos bairros afastados da cidade grande. O transporte das urnas com os votos dependiam às vezes de motoristas voluntários, com carros não raro caindo aos pedaços.

A estas regiões longínquas se dava o nome genérico de Zona da Mata. Era a última esperança dos candidatos com poucos votos. “Espera até chegar a zona da mata’, diziam os esperançosos de um milagre divino. 

Aconteciam uma vez que outra. Mas, em regra, a zona da mata não elegia ninguém. Com a chegada das urnas eletrônicas, não é incomum que os votos das urnas de bairros ou cidades afastadas cheguem primeiro no placar do TRE. 

É a vingança da Zona da Mata.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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