Um dos filmes mais incensados da história de Hollywood é “O Nascimento de uma Nação”, de 1915, nos primórdios do cinema. Passado todo esse tempo, estamos vendo o filme “A Destruição de uma Nação”. Os poderes Legislativo e parte do Judiciário estão no elenco milionário, feito só de estrelas.
O fim da classe média
Levantamento publicado no jornal Valor Econômico mostra que alguém da “classe média” com renda bruta de 4,2 mil reais mensais deve 6,3 vezes o que ganha. Ou seja, mais de 24 mil reais.
Qualquer um de nós sabe como o dinheiro está escasso e como a renda encolheu nos últimos anos. Não precisa de pesquisa para constatar esse fato.
Me engana que eu gosto
Durante décadas nos acostumamos com a falácia da inflação medida pelo IPCA ou outro balizador de plantão do governo, também de plantão. Os jornais sempre deram mais ênfase ao indicador oficial e, só mais recentemente, passaram a olhar com mais cuidado o que chamamos apropriadamente de custo de vida, em alguns casos substituído por inflação de alimentos.

Como fomos morrendo
Ocorre que inflação dos alimentos, o que chamo de gôndola do supermercado, é uma parte do custo de vida. Na cesta básica, não entram despesas do dia a dia, que são repassadas, sem dó nem piedade, por quem pode. Já os os assalariados, que não têm como repassar este aumento do seu custo mensal, são obrigados a engolir, como engolir farofa sem água.
Uma pausa
Nos anos 2000, um estacionamento do então hortomercado da Quintino de Porto Alegre subiu o preço da hora em 30%. Perguntei ao manobrista o motivo dessa garfada. Resposta: é que subiu o dólar. Vejam como a vigarice tomou conta do país.
O fim de uma classe
A classe média tal como a víamos em décadas passadas terminou, morreu de morte matada. Ou alguém acha que os 5,2 mil mensais usados como parâmetro na primeira nota de hoje é um bom dinheiro, que dê para pagar o custo mensal e pelo menos empatar? Dona Dilma Rousseff chegou a dizer que os que ganham 5 mil mensais são classe média ALTA.
Nos anos 1970 fiz
Um trabalho para uma agência de propaganda sobre o porcentual de classe média em Porto Alegre. Não havia consenso, mas, como base, a classe média deveria poder trocar de carro todos os anos. Naqueles tempos, automóvel era caro; hoje é muito mais barato.
O fascínio das quatro rodas
Considerando combustível, IPVA, desgaste do equipamento, depreciação, revisões, pneus, o custo mensal é de 5 a 6 vezes mais que a prestação do carro. Não é difícil concluir que muita gente não poderia possuir um automóvel.