O Leão Novo deu um bocejo, feliz da vida. Agora, era dono do harém que, há poucas luas, era do Leão Velho. Este encontrava-se a uns prudentes 50 metros de distância, derrotado por aquele pirralho que ele viu mamando nas tetas da Leoa Mãe.
Estava amargurado com a perda do título, mas era a lei da selva. Embora ainda houvesse brasas debaixo das cinzas.
O Leão Novo deu uma geral nas 10 leoas que herdou. Estava em dúvida se cobria aquela mais nova, com olhos brilhando de tanta tensão. Mas a do lado era mais experiente. Enquanto isso, o Leão Velho lambia as feridas remanescentes da briga pelo poder.
Em um dado momento, revirou os olhos, ficou rígido e arfante e, em poucos segundos, caiu no chão. Vendo a cena, o Leão Velho não cabia em si de tão contente, a sorte estava do seu lado. O Leão Novo e arrogante fora fulminado por um infarto.
Aproximou-se com os olhos gulosos quando passou pelo cadáver do desafeto e foi surpreendido com o morto se erguendo de sopetão. Piscou o olho para o velhote.
– Pensou que eu morri? Cai na real, idiota, foi uma pegadinha!
Moral da história: não está escrito na Lei da Selva que bicho que perde briga tem uma segunda chance.