Esta é uma pauta perene na nossa frágil existência. Há os desenganos a curto, médio e longo prazo, sem falar nas desilusões, mas pertencem a outro departamento contábil.

Digo isso porque muitos vêm com juros e correção monetária. Entretanto, deixemos essas parcerias do mal para mais adiante, os desenganos podem doer tanto ou até mais.
Vamos começar com um que não é inerente ao ser humano como desenganos amorosos e outros que tais. Algo mais singelo, em teoria, como as Loterias.
Fazem parte de 99,9% das nossas vidas. Você vai com tanta esperança quando joga e tanta desesperança quando as confere. Ah, dirão vocês, é só nao jogar.

Mas digam isso a quem ganha uma miséria e fica diante da ideia de dinheirinho que mudaria sua vida. Já nem falo das acumuladas, dezenas e dezenas de milhões, mas uma quantia que aplicada em CDB por exemplo, desafoga o torniquete do sofrimento diário.
Alguém tem que acertar, dirá o apostador. A sorte é uma dama traiçoeira, não bate já 99,9% dos apostadores.
Tão alegres que viemos…
Eles começam desde cedo com um simples aborrecimento que os adultos dariam risada, e dirão que faz parte e é bom para forjar seu caráter. Diga isso para uma criança pobre cujo pai não pode nem comprar um brinquedo tosco, que tem que mastigar carne dura porque o pai só pode sonhar com um alcatra e filé.
Depois vêm os desenganos com empregos que pagam pouco, desenganos amorosos e tantos outros que impedem que você seja feliz pelo menos algumas vezes por dia. Mesmo que tenham pouca duração.

O pior é que desenganos se multiplicam com o passar dos anos. Viver é isso, pular de um desengano para outro.
O desengano Brasil
Já fui tão esperançoso com o futuro do Brasil. Desde o tempo do colégio, eu tinha certeza que seríamos um grande país mais cedo ou mais tarde.
Então o tempo foi passando, e hoje nem mais cedo nem mais tarde, estou convicto que será “nunca”. Esse é um sentimento duro, feio e malvado de encarar.
Mas é o que a casa oferece. Consolo só para quem acredita em outra vida, e melhor.
O sonho do guri pobre
Em boa parte das vezes, é ser jogador de futebol ou artista de cinema. Guri pobre sonha com salários milionários, como os dos jogadores dos times europeus que disputaram a recente Copa das Nações nos EUA, tipo 500 mil ou 1 milhão de dólares por mês.
Tenho certeza que a maioria dessa gurizada destinaria o primeiro salário para ajudar os pais e, talvez, os irmãos. É recorrente, faz parte do sonho cada vez que dribla alguém com uma bola de pano nas ruelas de uma miserável favela que nem esgoto e água tratada tem. Existem cerca de 90 mil jogadores profissionais no Brasil e apenas 3,2 mil com contratos ativos.
O tráfico não perdoa
Como nas loterias, a esperança dará lugar à desesperança quando ele acordar anos mais tarde já sem idade para ser craque. Só 2% das dezenas de milhares de atletas profissionais ganham bem, e nem falo do Neymar ou Vini Jr. Estes pertencem ao Felizardos Futebol Clube.

Se eu fosse um menino pobre, nas minhas orações, pediria pernas espertas e visão de jogo. No mais, rezar para frequentar uma boa universidade e ser um bom profissional. Na realidade, infelizmente, parte dessa meninada cairá nas mãos do tráfico e terá vida curta, jogado numa vala com o corpo cheio de balas. O tráfico não perdoa.
Atenção bebedores
Em um estudo recente divulgado pela revista Nature Neuroscience, cientistas da Universidade de Massachusetts (UMass) identificaram um pequeno grupo de neurônios no cérebro de camundongos que atua como uma espécie de “freio” para o consumo alcoólico. Ao manipular geneticamente os animais, os especialistas conseguiram ativar ou silenciar essas células, observando mudanças significativas no comportamento diante do álcool.
A chave da pesquisa está em uma área chamada córtex orbitofrontal medial, região associada ao julgamento de riscos e recompensas. Os testes mostraram que, ao desligar esse conjunto específico de neurônios — que representa apenas cerca de 4% dessa área cerebral —, os camundongos passaram a consumir mais álcool com o passar das semanas.
Já quando os neurônios foram estimulados, o interesse pelo álcool caiu drasticamente. Probleminha: tem bebedores que bebem mais que animais.
Papagaio que acompanha João-de-Barro vira ajudante de pedreiro.
Pensamento do Dias