Antes da metade de um ano eleitoral, começa uma guerra surda, que tem mais perdedores que vencedores. É a guerra para manter cargos em comissão (CCs) e Funções Gratificadas (FG) no serviço público federal e estadual.
Se o chefe atual concorre à reeleição, os nervos ficam à flor da pele. Se o chefe não concorre, o nervosismo é maior, porque sabe-se lá quem vai ganhar o pleito se for da situação.

Pior, quem entra já sofre o assédio de correligionários e, na maioria das vezes, a vaga já está prometida para outro.
Falsas ilusões
Político que se preze nunca diz “não” para quem os assedia. A resposta padrão é “Vamos ver, não entrei ainda”. Uma variante é pedir o currículo, que em quase 100% dos casos, vai direto – sem escalas – para a lata do lixo.
Falsidades
O melhor é perder as ilusões de cara, assim se o cara ganhar ele não terá a ilusão de que vai manter o cargo ou a FG. É o que se chama direto ao ponto.
Dessa forma, sofre-se menos. Sempre é melhor o médico dar a má notícia de uma vez.
A terceira via
Para os caras de pau de carteirinha, existe uma via dedicada a São João do Maucaratismo. Consiste em procurar um adversário com chances de se eleger e dar informações privilegiadas do detentor do cargo, informações que podem ser usadas na campanha eleitoral.

Em troca, um carguinho, doutor. Eu sempre lhe admirei blá blá blá.
O caminho certo
Vou contar uma história. Nas eleições gerais de 1964, o candidato ao Senado pelo partido do governo, a ARENA, tinha certeza que seria eleito com larga dianteira.
Jornalistas políticos também achavam o mesmo, afinal toda máquina do governo fora colocada à sua disposição. E bota máquina e bota disposição nisso.
Para nossa surpresa, um assessor do candidato nos procurou para comunicar que estava deixando a campanha e o partido. Mas como, perguntei, agora que vais até ganhar a diretoria de alguma estatal?
– Ele vai perder. E perder feio.
Explicou que acompanhava o agora ex-chefe nas andanças pelo interior do Rio Grande do Sul e chegou à convicção que era uma guerra perdida. Conclusão que chegara só pelo número de pessoas nos comícios e o que ouvia nas rodas de cafezinho.

Três meses depois, veio a eleição. E, de fato, o candidato governista Nestor Jost levou uma saranda nas urnas. Ganhou o candidato do PMDB, Paulo Brossard.
Era o caminho certo a percorrer.
A salvação da lavoura
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou nesta quarta-feira (5/8) à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), duas propostas de emenda à Medida Provisória nº 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas rurais. Os textos foram enviados prontos para apresentar as sugestões de alterações ao original.
Segundo a entidade, se aprovadas, as mudanças devem ampliar de 10% para 90% a proporção de produtores gaúchos aptos a acessar as condições facilitadas da medida.
A iniciativa dá sequência ao diagnóstico apresentado pela Assessoria Econômica da Farsul no fim de julho, quando um levantamento com casos reais de produtores apontou que 88,3% do saldo devedor analisado (R$ 93 milhões em contratos de crédito rural) ficava fora do alcance da MP. Apenas R$ 10,85 milhões, o equivalente a 11,7% da amostra, reuniam as condições.