Entre os vários e excelentes bares e restaurantes do Centro antigo de Porto Alegre, um deles usou um macete para melhorar o chope ou cerveja. Nem era bem um bar, estava para o que hoje chamamos de lancheria.
Ficava na sobreloja do Cinema Cacique, o melhor e maior de Porto Alegre nos anos 1960. Por melhor entenda-se não apenas as poltronas confortáveis e espaço amplo entre as fileiras para esticar as pernas. Mas pelo sistema de som e projeção dos filmes.
A lancheria não atraia pela decoração, apenas pelo chope bem tirado e um bom sanduíche fechado. O que mais eu gostava é que o colarinho ficava firme até o último gole, algo inédito. Então perguntei para o atendente/garçom qual o segredo.
O copo que eles usavam era do tipo que começa fino e vai alargando, não o copo padrão de chope de 300 ml. Ele então mostrou o copo antes de levá-lo à chopeira.
– Olhe bem – falou ele.
No princípio não vi nada. Estava limpo, brilhante como deve ser. Então o atendente mostrou o fundo do copo com o dedo. Observei que havia uma pequeníssima quantidade do que parecia ser água, uma, duas gotas. Mal enxugado?
– Não. É uma gota de água com açúcar. O açúcar anula a gordura que fica na borda quando bebemos, especialmente se antes comemos algo gorduroso antes. A gordura destrói o colarinho do chope. Sem ela, ele fica firme. Dá para espetar um palito que não cai.
O que é o estudo.