Anos 1980. Acostumado a conseguir boquinhas com políticos e empresários, um jornalista me procurou para pedir um favor.
O dinheiro do uísque de cada dia estava dolorosamente curto e não via outra saída se ao fosse um emprego normal. Por acaso, eu conhecia um diretor de empresa privada que precisava de um assessor de imprensa.
Chamei imediatamente o meu amigo, que estava morrendo de sede nos bares da vida, e dei o telefone do diretor. Ele agradeceu e ficou de entrar em contato.
Semanas depois, encontrei o diretor da empresa e perguntei se minha indicação fora aceita. Não, respondeu, um tanto irritado. E explicou:
– O currículo dele era interessante, acertei um salário razoável. Mas, no final do papo, ele agradeceu. Disse que, por uma questão de princípios, não podia aceitar o cargo.
– Ué! Eu não sabia dos princípios dele. Quais eram?
– Teu amigo falou que queria uma boquinha, não sabia que precisava trabalhar oito horas por dia. E que isso estava fora de questão.