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O erro de Tancredo

Dizem que o azar é construído. Se não no todo, em parte, sim. Caso do azar do Brasil em matéria de presidentes. Nunca esquecerei o dia 21 de abril de 1985 em que a culminância do azar construído desgraçou este país.

Tínhamos um presidente que prometia. Não foi escolhido pelo voto direto. Mas fazer o quê? O regime militar estava no fim e foi o que deu para escolher indiretamente pelo Congresso.

E era homem de respeito, honesto há décadas. Assumiu doente, diverticulite ou algo assim. Dores fortes acompanharam nos últimos dias ou semanas. Entretanto, ele queria assumir primeiro, a medicina teria que esperar. Seria facilmente curável, soubemos depois, se ele tivesse ido ao hospital no início.

  Mas não foi. Tancredo Neves foi cercado por especialistas um mais famoso que outro e morreu no dia da posse. Seu vice, José Sarney, assumiu e fez um governo tão ruim que os anos 1980 são chamados de “a década perdida”.

    O segundo azar construído foram os especialistas. Tivesse ido no SUS, estaria vivo até hoje.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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