Uma lorota que nos acompanha é essa que o título contradiz. Provavelmente, foi criada por um comentarista de futebol ao ver seu time ganhar a partida na prorrogação e de pênalti.
Verdade que o Hino Nacional nos chamou de berço esplêndido. Entretanto, antes, a letra fala em “deitado eternamente”. E cá estamos nós com essa terrível crise institucional criada por pessoas que não se contentam com salários fabulosos e querem mais.
Mas devagar com essa paternidade. Estes erros não são causa. São consequência do jeito brasileiro de ser.
As lagostas
Lembram do auê quando foi revelado que bandejão de ministros do STF tinha até lagosta? E que os gastos do governo com cartão corporativo são de tal monta que há sigilo sobre o total mensal ou atualizado?

Vai ver e os tais 131 milhões de reais são folhinha perto deles. Sem falar que a fatura do cartão somos nós que pagamos.
Mordomias fazem parte da nossa história. Uma mais indecente que outra. E bem por isso mudamos e mudam os homens públicos.
O motorista do japonês
Há décadas, fiquei impressionado ao saber que o primeiro ministro do Japão só podia nomear seu motorista. O resto do gabinete era constituído por funcionários de carreira.
Mundo afora cargos públicos são sinônimo de gastos espartanos. Menos no país onde se diz que Deus é brasileiro.
A Mercedes embandeirada
Nos anos 1980, estava eu na Alemanha, na época que ainda existiam duas, a ocidental e a oriental. Uma gentileza do regime comunista, que já foi tarde e o diabo que o carregue.
A Capital federal era Bonn, e eu estava em um hotel no subúrbio diplomático. Tomei café da manhã e fui para a frente do hotel. Era um desfile de carros de embaixadas, cada um com a bandeira do país, geralmente discretas.

As marcas dos automóveis variavam, alguns maiores, outros discretos. Mas, em geral, eram automóveis produzidos nos respectivos países.
Nisso, passa uma enorme Mercedes Benz 600, top de linha, com nada discretas e enormes bandeiras, uma em cada lado do capô. Adivinhe de qual país?
O futuro a Deus pertence
Com a queda de braço entre dois ministros poderosos do Supremo Tribunal Federal, com outras instituições da República envolvidas ou citadas nesse barraco monumental, só Deus salva – e Deus nao é brasileiro – e só Ele sabe como a crise vai terminar. Se é que vai terminar.
Não são as instituições. São as pessoas que as integram que vêm falhando miseravelmente ao longo da nossa história.