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O livro da vida

Assisti uma palestra interessante, mas perturbadora no MenuPoa da Associação Comercial de Porto Alegre. Charles Ataide, CIO da Santa Casa de Porto Alegre, falou sobre o futuro meio que pra já de todos nós. 

A informação inicial é que crianças com 6-7 anos terão entre 1,3 e 1,7 patologias que as acompanharão pelo resto da vida. Inclui doenças mentais.

Na parte 2 da palestra, Charles falou sobre o que já existe e o que existirá no curto prazo, título desta nota. Todos os equipamentos médicos, do raio X ao mais sofisticado aparelho de ressonância, mais os resultados de todos os exames clínicos ficarão gravados na memória do que chamarei boletim de saúde, a exemplo da caderneta de vacinas. Ou seja, quem nasce já entrará neste listão. 

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Em última análise, a medicina poderá  antecipar doenças antes que elas se manifestem. Bom, né?

Como tudo tem o lado sombrio, esse livro da vida será a alegria das seguradoras e guia do RH dos futuros empregadores. Dependendo do que você terá, nem mesmo será admitido. Com o avanço dos diagnósticos, saberemos de qual doença vamos morrer e quando, excelente guia para as seguradoras.

Obsolescência programada 

Fica cada vez mais claro que o futuro da medicina, e talvez o futuro já seja mês que vem, em especial as cirurgias, serão cada vez mais e necessariamente realizadas pelos robôs. Já se fazem “operações” como se dizia antigamente usando a robótica. Seguramente sob orientação da IA.

https://observatorio.fecomercio-rs.org.br/home?utm_source=fernando_albretch&utm_campaign=observatorio_do_comercio&utm_content=competence

Já escrevi matérias aventando a possibilidade da robótica ficar tão precisa que o cirurgião será dispensável. Também li que isso não acontecerá, porque atrás de todo robô há um ser humano. 

Ocorre que chegará o tempo em que a memória robótica terá tanta informação que, mais dia menos dia, chegará a este grau de independência na destreza manual, por assim dizer. 

Como nos textos de IA que assimilam tudo que já se escreveu sobre determinado assunto, chegará o dia que ela poderá até imitar artifícios como ironia e bom humor. Talvez nunca a plenos 100%, mas 99,99% como se diz para definir o grau de pureza.

Nós, os inúteis

Imagino que para colunistas como eu só restará ser instrutores de IA. Aliás, já somos. 

https://www.senar-rs.com.br/

Como ficarão os empregos, não precisa consultar a IA para saber. As redações dos jornais só terão a sala do dono e “perguntadores” de IA. Falta pouco para isso acontecer.

 O Grande Irmão de George Orwel chama-se IA. É o seu algoz.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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